Desafio do Brasil é transformar recursos em investimentos de longo prazo, diz Bird

Augusto de la Torre
Image caption Para De la Torre, país precisa readequar a expansão de crédito

O Brasil enfrenta o desafio de transformar os recursos que entram em sua economia em investimentos de longo prazo, disse nesta quarta-feira o economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina, Augusto de la Torre.

Segundo De la Torre, o mercado financeiro no Brasil é caracterizado por contratos de curto prazo, mas o país precisa de investimentos de longo prazo, para melhorar sua infra-estrutura.

"Não há falta de recursos. O desafio é transformar o dinheiro em financiamento de longo prazo", disse o economista, em entrevista coletiva em Washington.

Outro desafio, de acordo com o economista, é como fazer para readequar a expansão de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) no futuro.

Capital estrangeiro O Brasil, assim como outros países da América Latina, sofreu menos os impactos da crise econômica mundial e se recuperou mais rápido do que as economias avançadas. Um dos resultados desse desempenho tem sido a entrada excessiva de capital estrangeiro na economia brasileira, que tem, entre seus efeitos, a valorização da moeda local, o que acaba encarecendo as exportações.

Outro fator que atrai investimentos estrangeiros é o fato de o Brasil ter uma das mais altas taxas de juros do mundo.

O governo federal vem tomando medidas para tentar conter a valorização do real frente ao dólar. Nesta semana, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou o aumento de 2% para 4% da alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para aplicações de estrangeiros no mercado de renda fixa no Brasil. O objetivo da medida é reduzir o fluxo de capital de curto prazo em aplicações financeiras. Novo governo Segundo De la Torre, investidores em Wall Street estão ansiosos sobre os anúncios da política fiscal do novo governo. "Esperam que a política fiscal venha em apoio à política monetária", disse. Economistas afirmam que uma política fiscal mais severa, com menor expansão o gasto público, permitiria uma política de juros mais branda. Com juros mais baixos, o mercado financeiro brasileiro seria menos atraente para investidores estrangeiros em busca de ganho fácil. Com isso, também seriam reduzidas as pressões para a valorização do real. O economista do Banco Mundial disse que, ao conter a valorização de suas moedas, países como o Brasil estão impedindo a queda do dólar, o quer acaba levando a um impasse global. "O que interessa a cada nação não é necessariamente de interesse da economia global", disse De la Torre. Pobreza e desemprego Ao fazer um balanço sobre como a América Latina se recuperou da crise econômica mundial, De la Torre disse que os efeitos em muitos setores acabaram sendo bem mais brandos do que o esperado inicialmente. De acordo com o economista, a previsão inicial era de que 10 milhões de americanos caíssem na pobreza em 2009, devido à crise. No entanto, apenas 2,1 milhões de pessoas entraram na pobreza no ano passado, um número bem abaixo do estimado. O mesmo ocorreu em relação ao desemprego. Estimava-se que 3,5 milhões ficariam desempregadas em 2009 em decorrência da crise mundial. No final, esse saldo foi de 2 milhões de desempregados.

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