Líder do Equador descarta dissolução imediata do Congresso

O presidente do Equador, Rafael Correa
Image caption Correa elogiou atuação da Unasul em favor da democracia no Equador

Seis dias após protestos que deixaram oito mortos e quase 300 feridos no Equador, o presidente do país, Rafael Correa, disse nesta quarta-feira que não vê, por ora, a necessidade de dissolver o Congresso e convocar novas eleições.

Nos protestos da quinta-feira, considerados uma tentativa de golpe pelo governo, centenas de policiais foram às ruas, tomaram o maior quartel da capital equatoriana, Quito, e fecharam o aeroporto internacional da cidade, levando o governo a declarar estado de exceção.

"Não vemos necessidade imediata da ‘morte cruzada’ (mecanismo constitucional que permite ao presidente dissolver o Congresso e convocar eleições antecipadas). Mas não podemos excluí-la definitivamente no futuro", afirmou Correa, em coletiva no Palácio presidencial, em Quito.

Apesar de condenar os protestos, Correa, no entanto, disse que a rebelião policial teve um lado benéfico, porque acabou unindo os deputados da base governista.

"A unidade (dos parlamentares) foi o efeito positivo", da crise, afirmou.

Relembre na BBC Brasil os protestos no Equador

‘Falha gravíssima'

O presidente admitiu que houve falhas no serviço de inteligência do governo, que não soube identificar que a rebelião policial se converteria em um "complô político" contra seu governo.

Segundo Correa, o governo obteve informações, ainda na véspera da rebelião, sobre um protesto dos policiais e de uma tentativa de "rebelar as Forças Armadas".

"(Houve) falha de inteligência gravíssima. Tínhamos informação no dia anterior de que queriam rebelam as Forças Armadas."

Correa disse que seu governo ainda está começando a reconstruir o serviço de inteligência e de segurança nacional e que ainda há "infiltrados" no organismo.

O líder equatoriano denunciou a presença de um suposto grupo paramilitar dentro da polícia, chamado de GAP (Grupo Armado Policial). O grupo teria sido o responsável pela distribuição de panfletos convocando a rebelião.

"O golpe não terminou, continua", disse Correa.

Punição

De acordo com informações oficiais, pelo menos 46 policiais foram detidos sob a acusação de participar da rebelião.

Fidel Araujo, ex-militar e militante do partido opositor Sociedade Patriótica, do ex-presidente equatoriano Lucio Gutiérrez, foi detido na terça-feira. Araujo aparece nos vídeos gravados durante os incidentes entre os rebelados.

"Por trás disso está Sociedade Patriótica e os Gutiérrez, isso está claro", afirmou Correa.

Ouvido pela BBC Brasil, Gutiérrez negou qualquer participação na crise. Leia mais

O mandatário equatoriano elogiou ainda a reação imediata dos países da Unasul, que se reuniram no mesmo dia da crise, em Buenos Aires, para tomar medidas em favor da segurança institucional equatoriana.

A seu ver, a decisão do bloco de punir econômica e politicamente qualquer governo que derive de um golpe de Estado "se converteu em um marco na América do Sul".

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