Juiz rejeita testemunha-chave e adia julgamento de ex-preso em Guantánamo

Ahmed Ghailani (arquivo)
Image caption Ghailani é o 1º ex-detento de Guantánamo julgado em um tribunal civil

O primeiro julgamento civil de um ex-prisioneiro da prisão de Guantánamo foi adiado nesta quarta-feira depois que o juiz rejeitou uma testemunha-chave que seria convocada a depor pelo governo dos Estados Unidos para ajudar na acusação.

O réu, Ahmed Khalfan Ghailani, é acusado de participação nos atentados de 1998 contra embaixadas dos Estados Unidos na Tanzânia e no Quênia que mataram 224 pessoas.

O juiz Lewis Kaplan, de Nova York, onde o julgamento deveria ter começado nesta quarta-feira, rejeitou a convocação da testemunha de acusação Hussein Abebe alegando que sua identidade foi revelada por Ghailani “sob coerção” quando o réu estava sob custódia de agentes americanos.

A expectativa era de que Abebe confirmasse no seu depoimento que vendeu a dinamite usada por Ghailani no ataque contra a embaixada americana na Tanzânia em agosto de 1998.

Um promotor americano descreveu Abebe como uma testemunha "gigante" para o governo, que já está analisando a possibilidade de entrar com recurso.

Acatando pedido da promotoria, Kaplan adiou o início do julgamento, que foi marcado para 12 de outubro.

Interrogatório

O detento que seria julgado nesta quarta-feira é tanzaniano, foi capturado no Paquistão em 2004 e transferido para Guantánamo com outros detentos em 2006.

Ele é acusado de comprar os veículos e os explosivos usados no ataque na Tanzânia e de ter servido como auxiliar do líder da rede extremista Al-Qaeda, Osama Bin Laden.

Ghailani, que nega as acusações, foi submetido pela CIA (agência de inteligência americana) ao que o governo dos Estados Unidos chama de "interrogatório intensificado". Os advogados do réu, no entanto, afirmam que ele foi torturado.

O julgamento é visto como um teste para o governo do presidente americano Barack Obama, que espera julgar em tribunais civis vários dos detidos mais famosos de Guantánamo, incluindo o suposto responsável por planejar os ataques do 11 de setembro de 2001 Khalid Sheikh Mohammed.

De acordo com a repórter da BBC em Nova York Laura Trevelyan, a decisão desta quarta-feira mostra como poderá ser difícil para o governo americano conseguir condenações civis dos detidos de Guantánamo se citar nos julgamentos informações obtidas com técnicas como a simulação de afogamento (conhecida como "waterboarding"), que é considerada tortura, proibição de sono para o suspeito antes do interrogatório ou outras técnicas mais duras usadas pela CIA.

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