Vargas Llosa ganha Nobel de Literatura

Mario Vargas Llosa (arquivo)

Vargas Llosa foi candidato à presidência do Peru em 1990

A Academia Sueca em Estocolmo concedeu nesta quinta-feira o prêmio Nobel de literatura de 2010 ao escritor peruano Mario Vargas Llosa.

De acordo com a academia, Vargas Llosa foi premiado por sua “cartografia das estruturas de poder” e “vigorosas imagens de resistência individual, revolta e derrota”.

O escritor de 74 anos escreveu mais de 30 romances, peças e ensaios. Vargas Llosa é o primeiro sul-americano a ganhar o prêmio desde o colombiano Gabriel Garcia Márquez, agraciado com o prêmio em 1982.

Nos seis anos anteriores, a Academia Sueca deu o prêmio de quase US$ 1,5 milhão para cinco europeus e um turco e foi acusada de ser muito focada nas obras literárias europeias.

Peter Englund, secretário da Academia Sueca, afirmou que Vargas Llosa é “um contador de histórias com dom divino”, cuja obra toca o leitor.

De acordo com Englund, o escritor peruano está morando em Nova York, onde dá aulas na Universidade de Princeton, e recebeu a notícia do prêmio por telefone.

“Ele ficou muito, muito emocionado”, afirmou.

Política e literatura

Nascido na cidade de Arequipa em 28 de março de 1936, Vargas Llosa foi comunista na juventude e hoje é um notório defensor do neo-liberalismo.

Em 1990, ele disputou as eleições presidenciais do Peru como candidato de uma coalizão de partidos de centro-direita frente democrática, mas foi derrotado, no segundo turno, por Alberto Fujimori.

Em 1995, o escritor ganhou o prêmio Cervantes, a mais importante honra literária entre os países de idioma espanhol.

Vargas Llosa passou a infância na Bolívia e voltou para o Peru apenas em 1945, onde se formou em letras e direito. A primeira obra de Llosa, o livro de contos Os Chefes, de 1959, conquistou o prêmio Leopoldo Arias.

Mas o reconhecimento internacional viria apenas em 1963, com o romance A Cidade e os Cachorros, no qual o escritor usou suas experiências em uma academia militar. O livro foi considerado polêmico no Peru e mil cópias foram queimadas em público por oficiais do Exército.

Entre as obras mais conhecidas de Vargas Llosa estão Conversas na Catedral, de 1969, Tia Júlia e o Escrivinhador, de 1977, A Guerra do Fim do Mundo, de 1981, e, mais recentemente, A Festa do Bode, de 2000.

Seu romance mais recente foi publicado em 2006, Travessuras da Menina Má.

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