Resgate dos 33 mineiros no Chile termina com sucesso

Urzúa e Piñera
Image caption O último mineiro resgatado, Luis Urzúa, comemora ao lado do presidente chileno, Sebastián Piñera

Cerca de 22 horas após o primeiro resgate, a operação de retirada dos 33 trabalhadores que ficaram mais de dois meses presos em uma mina no norte do Chile chegou ao fim, de maneira bem sucedida, na noite desta quarta-feira.

O líder do grupo, Luis Urzúa, chegou à superfície às 22h no horário do Chile (que é o mesmo do de Brasília). Conhecido como Don Lucho pelos mineiros, ele tem 54 anos e era o chefe do turno no momento do acidente. Ele é topógrafo e estava fazendo mapas da área da mina onde eles ficaram presos.

Durante a madrugada, a cápsula trará à superfície os cinco resgatistas que desceram à mina para auxiliar nas operações.

A rapidez com que os resgates foram feitos surpreendeu até mesmo as autoridades chilenas, que até a terça-feira chegaram a anunciar que a operação poderia durar até 48 horas.

Segundo autoridades, o processo foi agilizado porque não houve as complicações previstas com a fibra ótica que faz a comunicação com o interior da mina e porque cada ciclo - de descida da cápsula e subida com os mineiros - levou 45 minutos, em vez da uma hora planejada anteriormente.

Em coletiva ao lado do presidente boliviano, Evo Morales, o presidente do Chile, Sebastián Piñera, disse que a operação demonstra “o compromisso de um povo inteiro”, já que “a maioria dos chilenos manteve vivo o sonho” de que a operação fosse bem-sucedida.

Pouco depois do 14º resgate, Piñera recebeu um telefonema do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, a quem disse ter vivido "uma noite mágica". Em seguida, ligaram Cristina Kirchner, da Argentina, Hugo Chávez, da Venezuela, e David Cameron, primeiro-ministro da Grã-Bretanha.

Saúde

Segundo o ministro da Saúde chileno, Jaime Mañalich, todos os trabalhadores resgatados estão se recuperando bem. Eles estão sendo levados de helicóptero ao hospital de Copiapó, onde devem ser monitorados por 48 horas.

Florencio Ávalos foi o primeiro a chegar à superfície à 0h10 local (mesmo horário de Brasília), após ser içado de 624 metros de profundidade em uma cápsula. Em seguida, saíram Mario Sepúlveda, Juan Illanes, Carlos Mamani e o mais novo de todos, Jimmy Sanchez, de 19 anos, pai de um bebê de quatro meses.

O sexto mineiro foi Osmán Araya, que chorou ao abraçar a esposa Angélica. Em seguida, foi resgatado José Ojeda, autor do bilhete encontrado no dia 22 de agosto, 17 dias após o acidente. A nota afirmava que os mineiros estavam vivos.

O oitavo trabalhador a sair da mina foi Claudio Yánez, que foi recebido por sua noiva, Cristina Nuñez. Eles decidiram se casar depois do acidente. Em seguida saíram Mario Gómez (9º), Alex Vega (10º), Jorge Galleguillos (11º) e Edison Peña (12º).

'Volta à vida'

"Estou de volta à vida", disse Gómez, de 63 anos, o mais velho dos 33 homens presos há dois meses em uma mina no norte do país.

Gómez, de 63 anos, sofre de hipertensão e silicose, doença respiratória comum entre mineiros, e foi retirado usando uma máscara de oxigênio.

Pouco antes das 11h chegou à superfície o 13º mineiro, Carlos Barrios, de 27 anos.

Ele tem um filho de cinco anos e, até ser resgatado, não sabia que deve ser pai de um segundo: sua namorada, Carolina Véliz, está grávida. Barrios é fanático por futebol e trabalha há apenas seis meses com mineração.

O 14º a sair foi Víctor Zamorra, seguido por Víctor Segovia (15º), Daniel Herrera (16º), Omar Reygadas (17º), Esteban Rojas (18º), seu primo Pablo Rojas (19º), Dario Segovia (20º), Yonni Barrios (21º), Samuel Ávalos (22º), Carlos Bugueño (23º), José Henríquez (24º), Renán Ávalos (25º), Cláudio Acuña (26º), Franklin Lobos (27º), o mecânico Richard Villarroel (28º) e o supervisor Juan Carlos Aguilar Gaete (29º).

Por volta das 21h40, foi retirado o 30º mineiro: Raúl Bustos. Engenheiro hidráulico, ele não trabalhava diretamente na mina, estava apenas organizando o sistema de suprimento de água do local. Antes de trabalhar na mina, ele vivia na cidade de Talcahuano, de onde saiu após ter ficado desempregado por causa do terremoto que atingiu o país em fevereiro.

Em seguida, foram resgatados Pedro Cortez Contreras (31º) e Ariel Ticona (32º), cuja filha nasceu enquanto ele estava preso no refúgio. Ela foi batizada de Esperanza.

Óculos escuros

Os mineiros resgatados aparentavam disposição e usavam óculos escuros. Eles foram recebidos com entusiasmo por familiares, técnicos e por Piñera.

Em imagens feitas na área reservada às suas famílias os mineiros pareciam bem dispostos e sorridentes. Golborne disse em coletiva que os mineiros que tinham a saúde mais fragilizada já foram resgatados e estão bem.

Ávalos, Sepúlveda e Illanes foram escolhidos para serem os primeiros a subir por serem os mais fortes do grupo – logo, estariam mais capacitados para lidar com eventuais dificuldades na subida.

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