Para analistas, sul do Líbano se tornou frente de confronto entre Israel e Irã

Cartazes com o presidente Ahmadinejad no vilarejo de Maroun el-Rass, sul do Líbano, visto do norte de Israel
Image caption Ahmadinejad visita nesta quinta-feira o sul do Líbano

Analistas israelenses dizem que a visita ao Líbano do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, causa preocupação em Israel e configura uma nova situação na qual, de fato, a fronteira com o Líbano se transformou em uma frente de confronto com o Irã.

Ahmadinejad chegou ao Líbano na quarta-feira para uma visita de dois dias e, nesta quinta, viaja a aldeias perto da fronteira israelense, no sul do Líbano, afetadas pela guerra entre Israel e o grupo xiita libanês Hezbollah em 2006.

O especialista em estratégia militar da Universidade de Tel Aviv, Reuven Pedhatzur, disse à BBC Brasil que "embora haja uma discussão interna intensa no Líbano, o Hezbollah, aliado do Irã, está se revelando como o lado mais forte na sociedade".

Para Pedhatzur, por intermédio da força crescente do Hezbollah, o Líbano "está se transformando em um protetorado iraniano".

O analista também afirma que desde a segunda guerra do Líbano, em 2006, o Hezbollah se armou com dezenas de milhares de foguetes, fornecidos pelo Irã, que ameaçam Israel a partir do sul do país.

Segundo Pedhatzur, uma terceira guerra do Libano poderia ser desastrosa para Israel e "cobrar um preço muito duro em termos de vidas de civis", devido ao armamento intenso do Hezbollah.

O estrategista também diz que Israel não tem uma resposta militar para os foguetes e, se houver uma terceira guerra, "a única maneira (para combater o lançamento de foguetes contra cidades israelenses) será ocupar novamente o sul do Líbano".

Leia mais na BBC Brasil: Líbano reforça fronteira para visita de Ahmadinejad ao sul do país

Destruição

Em discurso perante milhares de pessoas no bairro de Dahia em Beirute, reduto do Hezbollah, Ahmedinejad pregou a destruição do Estado de Israel e propôs que os israelenses "voltem para os lugares de onde vieram".

Segundo os analistas, o fortalecimento da influencia iraniana no Líbano pode mudar o mapa político do Oriente Médio.

De acordo com o analista político da rádio estatal de Israel, Hanan Cristal, o aumento da influência iraniana leva ao enfraquecimento da posição da Síria no país.

"Antes pensávamos que um acordo de paz com a Síria incluiria automaticamente o Líbano", disse Cristal. "Mas agora parece que a situação está mudando e a Síria está perdendo espaço no Líbano."

Para Pedhatzur, Israel deve assinar um acordo de paz com a Síria "o quanto antes".

"O acordo com a Síria se torna ainda mais urgente, antes que o Líbano se transforme em uma base militar iraniana", disse.

Segundo Micky Segal, que foi chefe do departamento de Irã no serviço de inteligência do Exército israelense, o Líbano "já é um protetorado iraniano".

"Já temos a presença fisica do Irã em nossa fronteira norte", disse Segal à radio estatal de Israel, Kol Israel.

O general da reserva Eyal Ben Reuven, que foi um dos comandantes do Exército israelense durante a guerra do Líbano, disse que Israel "não pode iniciar uma guerra a cada dois dias".

"Devemos resolver o problema por caminhos diplomáticos", disse Ben Reuven à radio israelense.

"Temos que fazer todos os esforços para evitar uma terceira guerra no Líbano, o preço seria muito alto", recomendou.

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