América Latina

Um dia após o resgate, três dos 33 mineiros deixam o hospital no Chile

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Três dos 33 mineiros resgatados no Chile deixaram o hospital na noite desta quinta-feira.

Segundo o jornal chileno La Tercera, Edison Penã, Carlos Mamani (o único boliviano do grupo) e Juan Illanes deixaram o hospital de Copiapó, onde estavam internados desde o resgate, e foram para suas casas.

Durante uma entrevista coletiva, o vice-diretor do hospital, o médico Jorge Montes, disse que outros mineiros devem ter alta na sexta-feira, já que o estado de saúde de todos eles estava progredindo muito bem. Todos devem ser liberados até domingo.

É o caso inclusive de Mario Sepúlveda, que enfrenta problemas respiratórios, e de Mario Gomez, de 63 anos, que está tomando antibióticos por causa de uma pneumonia.

O médico afirmou ainda que os três mineiros poderão fazer atividades físicas e só terão de usar óculos de sol quando expostos à luz intensa. No entando, disse que "a condição psicológica dos pacientes é algo ainda imprevisível".

No fim da tarde, os socorristas que participaram da operação de resgate na mina San José foram ao hospital, onde tiveram um encontro emocionado com os mineiros.

Futebol

Os mineiros também receberam a visita do presidente do Chile, Sebastián Piñera, que os convidou para um jogo de futebol no palácio presidencial, no dia 25. Ele fez piada, dizendo que quem ganhasse a partida ficaria no La Moneda, e quem perdesse voltaria para a mina.

“Eles sabem que nós (o país) não os abandonaríamos, quando estavam a 700 metros no subsolo. É claro que o governo vai cuidar deles, de suas situações pessoais, de sua saúde, sua reintegração à vida, com suas famílias e sua reinserção profissional”, afirmou.

Piñera afirmou que o governo vai revisar os padrões de segurança de todas as minas do país, em decorrência do acidente.

Segundo ele, a legislação trabalhista será alterada e aperfeiçoada e serão adotados “padrões internacionais”.A mineração é uma das principais atividades econômicas no Chile, maior produtor mundial de cobre.

'Nunca mais'

O presidente, cuja popularidade está em ascensão no Chile, disse que nunca mais trabalhadores do país devem ser submetidos a condições como as da mina de San José.

Ele agregou que a empresa responsável pelo local, a mineradora San Esteban, deve ser responsabilizada e arcar com parte dos custos do salvamento - que Piñera estimou estar entre US$ 10 milhões e US$ 20 milhões.

"Dissemos no primeiro dia que não aceitaremos impunidade. As cortes estão trabalhando, o Judiciário está trabalhando, o governo está trabalhando em questões de procedimentos administrativos."

Piñera voltou a chamar o resgate de “milagre” e exaltou a “união” nacional trazida pelo episódio.

“Os mineiros que ontem (quarta-feira) voltaram (à superfície) não são as mesmas pessoas que ficaram soterradas em 5 de agosto. Eles estão experimentando uma nova vida, um renascimento. Mas também aconteceu um milagre na superfície, porque nós, chilenos, não somos mais os mesmos de antes. Hoje somos um país unido, muito mais forte, mais respeitado e amado em todo o mundo.”

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