Imagem de Chile e Piñera saem fortalecidas após resgate, dizem analistas

Presidente Sebastián Piñera com Luis Urzúa
Image caption Presidente Piñera recebeu o último mineiro resgatado, Luiz Urzúa

A imagem do Chile e do presidente do país, Sebastián Piñera, deve sair fortalecida após o resgate dos 33 mineiros, segundo analistas chilenos e de outros países da América do Sul ouvidos pela BBC Brasil.

“Mais de um bilhão de pessoas viram no mundo inteiro o resgate, que é uma história de sucesso. Acho que o fato reforçará a imagem do Chile como um país competitivo e que se levanta rápido diante da adversidade”, disse o analista chileno Ricardo Israel, professor de ciências políticas da Universidade Autônoma do Chile.

Mas em sua opinião o poder de influência do Chile é “limitado” por seu tamanho e “localização geográfica”.O Chile tem cerca de 15 milhões de habitantes.

A expansão da economia chilena supera as expectativas para este ano. O Chile é o único país da América do Sul a fazer parte da OCDE, clube dos países ricos.

“Dificilmente o Chile terá maior influência do que já tem na região e no mundo. Na América Latina, não é o Chile, mas o Brasil que tem o maior peso no cenário mundial”, disse Israel.

Final feliz

Para analistas chilenos, argentinos, bolivianos e paraguaios, o sucesso do resgate fortaleceu a imagem do Chile como um país competente.

"Acho que o Chile aproveitou bem o desafio que viveu para intensificar sua imagem de país sério, capaz de enfrentar grandes problemas", disse o analista paraguaio Francisco Capli, da consultoria First Análisis y Estudios, de Assunção.

Na visão do argentino Vicente Palermo, pesquisador do Conicet (Conselho Nacional de Pesquisas Cientificas e Técnicas), os chilenos souberam "descolar" a imagem do país da que foi deixada pelas empresas do setor de mineração, após o desastre.

“Foram as empresas que ficaram com a imagem negativa, ligada à falta de segurança para os trabalhadores. O Chile apareceu como país capaz de resgatar os mineiros de forma brilhante”, disse.

Para ele, o Chile deixou uma imagem de “união, solidariedade e alta competitividade”.

Na opinião de outro analista argentino, Rosendo Fraga, do Centro de Estudos Nova Maioria, o resultado do resgate fortalece a imagem do Chile no mundo.

“Até agora, o Chile tinha demonstrado ao mundo seu sucesso econômico. Para o PNUD (o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), este é o país da América Latina com maior índice de desenvolvimento humano (IDH). Para as classificadoras de risco, o mais confiável da região. E agora prova sua capacidade de enfrentar e superar suas desgraças com eficiência e rapidez”, disse Rosendo.

Na opinião do analista boliviano José Luis Galvez, da Equipos Mori, o resgate representou o “renascimento de 33 mineiros e da excelente administração da opinião pública”.

“Esta história de sucesso deverá fortalecer ainda mais a imagem do Chile no exterior e aumentar imagem positiva do presidente Piñera”, afirmou Galvez.

A Bolívia, como o Chile, é um país com forte produção de minério. Para Galvez, o Chile vai exportar a tecnologia de resgate que inventou para outros países com atividade de mineração.

“A realidade daqueles 33 mobilizou muitos bolivianos. Mobilizou o mundo inteiro. E mostrou a excelente relação entre Chile e Bolívia na era de Piñera”, disse. O presidente Evo Morales (convidado por Piñera) esteve na saída da mina San José. Um dos mineiros resgatados era boliviano.

Piñera

A trajetória do presidente Piñera é a de um empresário bem sucedido e com a imagem ligada, segundo analistas locais, à de administrador. Mas ele não é definido, pelos especialistas, como um presidente popular.

Piñera assumiu a Presidência em março e registra popularidade similar aos votos que recebeu quando eleito, como recordou Ricardo Israel. A expectativa é de que sua popularidade suba após este episódio.

“Piñera se envolveu pessoalmente neste resgate. Quando o acidente ocorreu este não era um problema do Chile, mas de uma empresa, dona da mina. Se tivesse dado errado, ele seria responsabilizado pelos mortos. Mas deu certo”, afirmou Israel.

Desde que a odisseia dos mineiros começou, há mais de dois meses, o ministro de Mineração, Laurence Golborne, teve mais popularidade que Piñera. Num artigo, publicado no jornal La Tercera, o analista Patrício Navia disse que Piñera deve transformar este “capital de alegria” do resgate em “poderoso impulso para sua agenda de governo”.

Navia recordou que, em setembro, Piñera contava com 53% de aprovação, segundo pesquisas da Adimark. Mas que 67% deste total eram do setor ABC e 48% das classes D e E. Para o analista, o “capital político” obtido com o resgate dos mineiros deverá ajudá-lo a melhorar estas características de imagem.

“Mas desde que a celebração (caso exagerada) não ofusque o gol magistral feito por seu governo”, escreveu.

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