América Latina

Após resgate, mineiros viram xodó de publicitários e da mídia

Cliente de loja de eletrodomésticos em frente a TVs ligadas no caso do Chile

Resgate dos chilenos atraiu maiores picos de audência recentes

Protagonistas da história mais acompanhada nos últimos meses, os mineiros que ficaram soterrados na mina de San José, no Chile, estão recebendo inúmeras propostas para tirar proveito comercial de sua história em propagandas, entrevistas, livros e até no cinema.

Transformados em celebridades pela operação de resgate acompanhada por até um bilhão de pessoas em todo o mundo, os homens já foram convidados a estrear propagandas de produtos que variam de cerveja a pílulas para melhorar o desempenho sexual.

Do mundo do futebol chegaram convites de visitas a clubes europeus, como o Real Madrid e o Manchester United.

O time espanhol se aproxima dos mineiros talvez em função da grande quantidade de latino-americanos que engrossam as suas fileiras; o inglês, pela empatia que o episódio desperta em muitos de seus torcedores de origens proletárias.

Entre os presentes que os homens receberam após chegar à superfície está um iPod enviado pelo próprio Steve Jobs, presidente da Apple, a cada um dos novos heróis.

Um deles, que cantava canções de Elvis Presley para manter o ânimo dos colegas, foi convidado para visitar a famosa mansão Graceland do rei do rock em Memphis, nos Estados Unidos.

Há relatos de vários outros presentes oferecidos aos mineiros, desde o equivalente a US$ 10 mil em dinheiro a um cruzeiro nas ilhas gregas.

Analisas afirmam que o potencial volume financeiro a ser movimentado pelo episódio nas mãos das empresas de publicidade e mídia chegaria a milhões de dólares.

Os homens concordaram em dividir igualmente os lucros gerados com a venda das histórias, mas as iniciativas são tantas e tão diversas que podem dificultar a execução desse acordo ao pé da letra.

Associação positiva

Uma das primeiras empresas a associar a sua imagem à dos novos heróis da mídia global, a fabricante de óculos escuros Oakley, mostrou que a iniciativa pode trazer benefícios – e lucros.

A empresa doou aos 33 homens os óculos especiais que eles usaram para se readaptar à luminosidade, após quase 70 dias de semiescuridão. Cada um dos 35 aparelhos é vendido no mercado por cerca de US$ 200.

Em troca, a Oakley se beneficiou, praticamente de graça, de um espaço nobre da cobertura que teria custado à companhia US$ 41 milhões em publicidade, nos cálculos da consultoria de comunicações americana Front Row Analytics.

Estima-se que um bilhão de pessoas tenha acompanhado a saga dos homens pela TV e a internet. A produção de conteúdo foi alimentada por 1,5 mil jornalistas que trabalhavam no acampamento Esperança, além dos que garantiam as operações nas redações e centros de transmissão.

Nos Estados Unidos, segundo o site Internet Movie Database, mais de 7 milhões de telespectadores sintonizaram na rede Fox na quarta-feira à noite para assistir ao salvamento do último mineiro, Luis Urzúa.

Foi a maior audiência da rede desde as eleições de 2008, que terminaram com a vitória de Barack Obama.

De acordo com o Real-time Web Monitor, citado pela CNN, o tráfego de internet na terça-feira, às vésperas da resgate, já era de mais de 4 milhões de usuários por minuto, atrás apenas de certos jogos da Copa do Mundo, do jogo mais longo de tênis da história, neste ano em Wimbledon, e a eleição de Obama.

O programa matutino da BBC, Breakfast, registrou na quinta-feira um pico de audiência de 2,5 milhões de telespectadores, impulsionado pela curiosidade do público que queria notícias do resgate, concluído no meio da madrugada britânica.

Segundo a imprensa britânica, a saga dos 33 homens contada por Jonathan Franklin, um jornalista freelance que vive no Chile e tem coberto a história para o Guardian, já teve os direitos comprados pela editora britânica Transworld.

A obra tem o título provisório de 33 Men Buried Alive (“33 Homens Enterrados Vivos”, em tradução livre) e já teria sido negociada também com editoras na Alemanha e na França.

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