Empregado ‘não ofereceu resistência’ a príncipe acusado de matá-lo, diz promotoria

Cena de empregado sendo atacado, em hotel londrino
Image caption Vítima sofreu abusos antes de ser morta, dizem promotores

A promotoria no julgamento de um príncipe saudita acusado de matar seu empregado em Londres disse nesta segunda-feira, em um tribunal na capital britânica, que a vítima não ofereceu resistência porque estava “esgotada” após ser submetida a maus-tratos “sádicos”.

Bandar Abdulaziz, 34, empregado do príncipe Saud Abdulaziz Bin Nasir Al-Saud, foi encontrado morto no Landmark Hotel, no bairro de Marylebone, no dia 15 de fevereiro.

Segundo a acusação, o príncipe cometeu o crime na cama do quarto que os dois dividiam, após semanas de abusos físicos e psicológicos.

“Bandar se tornou tão submisso e subserviente, tão cansado da violência, que se tornou incapaz de oferecer resistência efetiva", disse o promotor Jonathan Laidlaw.

“Ele foi morto aparentemente sem sequer reagir porque o réu estava completamente ileso, sem nenhuma marca sequer (da resistência de Abdulaziz), quando foi examinado pela polícia.”

Conotação sexual

Saud, que nega ser homossexual, admitiu ter matado o empregado, mas diz que não teve a intenção de cometer o homicídio porque matinha com ele uma amizade “genuína”, informou o site especializado britânico CourtNewsUK.co.uk.

Para Laidlaw, "as evidências comprovam de forma conclusiva que ele (o príncipe) é gay ou tem tendências homossexuais".

"Está claro que o abuso de Bandar não se restringia apenas a espancamentos físicos", disse o promotor.

"Há evidências claras, além das marcas de mordidas, de que também havia um elemento sexual nos maus-tratos à vítima."

Entre os indícios apresentados no julgamento estavam a presença de marcas de mordidas no rosto de Abdulaziz, o que, segundo a promotoria, indicaria “conotações sexuais óbvias”.

Crime

O príncipe e seu empregado estavam hospedados no hotel em Londres desde o dia 20 de janeiro em férias prolongadas.

Durante audiências anteriores do julgamento, foi revelado que a vítima sofreu várias agressões antes de morrer.

Imagens de câmeras de circuito fechado de TV mostram o príncipe atacando o empregado dentro de um elevador em duas ocasiões nas semanas que antecederam o crime.

Há também imagens gravadas dele chutando a vítima na saída de um restaurante.

Quando o corpo de Abdulaziz foi encontrado, havia marcas de sangue no travesseiro, e o príncipe parecia chocado e transtornado, segundo relatos ouvidos durante o julgamento.

Saud disse à polícia que ele e o empregado tinham ficado no bar do hotel, bebendo, até tarde da noite, antes de retornar ao quarto.

Ao acordar, no meio da tarde, o príncipe disse ter tentado, sem sucesso, acordar o amigo.

Segundo a promotoria, o príncipe tentou limpar algumas das manchas de sangue e lavar peças de roupa de Abdulaziz.

O julgamento continua, e o júri terá que decidir se o príncipe é culpado de homicídio doloso (com intenção de matar) ou culposo (sem intenção).

Segundo a acusação, o príncipe, que é filho de um sobrinho e de uma filha do rei saudita, Abdullah, pode enfrentar a pena de morte em seu país, por conta das acusações de homossexualismo.

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