Economia

Análise: Cortes são efeitos retardados da crise econômica

O ministro das Finanças britânico, George Osborne (arquivo)

Osborne defende 'ação urgente' contra déficit do orçamento

Os cortes de gastos públicos anunciados pelo ministro das Finanças da Grã-Bretanha, George Osborne, são uma espécie de efeito retardado da crise econômica.

A turbulência financeira e a recessão que a sucedeu derrubaram a arrecadação do governo, ao mesmo tempo em que crescia a pressão por ajuda financeira aos bancos e outros gastos públicos.

O déficit do orçamento passou de 2,4% do PIB antes da crise para 11% no ano passado.

A Grã-Bretanha tem um dos maiores déficits orçamentários entre os países ricos, estimado em cerca de 160 bilhões de libras, ou R$ 430 bilhões - o maior de sua história.

O anúncio dessa quarta-feira vinha sendo considerado o momento mais esperado desde a eleição de maio, na qual o Partido Conservador obteve o maior número de cadeiras no Parlamento com a bandeira de tomar uma "ação urgente" para reduzir o buraco nas contas governamentais.

O partido, entretanto, não conseguiu a maioria absoluta das cadeiras e foi obrigado a fazer uma coalizão com a terceira maior legenda, o Liberal-Democrata, que concordou com a tese da necessidade de cortes drásticos e imediatos nos gastos públicos.

Mão pesada?

Nos próximos quatro anos, o plano o governo é cortar mais de 80 bilhões de libras esterlinas – mais de R$ 220 bilhões – em gastos públicos.

As medidas de elevação de impostos devem engrossar os cofres do governo em 29 bilhões de libras adicionais, ou quase R$ 80 bilhões.

Ao fim desse período de ajustes, o déficit no orçamento do governo continuará existindo, mas será menor e sustentável, disse o analista de economia da BBC Andrew Walker.

E se a estratégia der certo, a dívida do governo começará a declinar em relação ao PIB, afirma o analista.

Entretanto, existe um forte debate sobre a rapidez com que o ministro Osborne tentará aplicar os cortes.

O governo de coalizão conservadora e liberal-democrata estava no poder havia apenas duas semanas quando o ministro anunciou cortes para este ano fiscal da ordem de 6 bilhões de libras, em maio.

As medidas afetaram a contratação de novos servidores públicos e os benefícios sociais.

Manifestante contra os cortes

Para sindicatos, cortes podem levar economia de volta à recessão

O Partido Trabalhista, hoje na oposição, os sindicatos e alguns economistas afirmam que cortes abruptos demais podem terminar se revelando um remédio forte demais para a economia britânica, que correria o risco voltar à recessão.

Mas o governo alega que a redução do déficit vai restaurar a confiança no governo, implicando o pagamento de juros menores quando o país pegar empréstimos.

Desafio político

O analista de política da BBC Rob Watson disse que a coalizão está tentando conseguir algo que governo nenhum anterior conseguiu – realizar cortes sustentáveis no gasto público.

Mesmo após a redução das despesas, o Estado britânico continuará sendo relativamente grande e caro – o corte de gastos reduzirá o gasto público apenas para os mesmos níveis de 2006.

Mas a desaceleração aguda será sentida, diz o analista.

As pesquisas de opinião mostram que o eleitorado deseja que o governo combata o desequilíbrio do orçamento.

Mas as mesmas sondagens também apontam que existem temores em relação ao tamanho e a distribuição dos cortes que virão.

Tópicos relacionados

BBC © 2014 A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo de sites externos.

Esta página é melhor visualizada em um navegador atualizado e que permita o uso de linguagens de estilo (CSS). Com seu navegador atual, embora você seja capaz de ver o conteúdo da página, não poderá enxergar todos os recursos que ela apresenta. Sugerimos que você instale um navegados mais atualizado, compatível com a tecnologia.