Colonos judeus quadruplicaram ritmo de obras na Cisjordânia, diz ONG

Trabalho de construção foi retomado em assentamento perto de Hebron
Image caption Trabalhos de construção foram retomados na Cisjordânia, diz ONG

O grupo pacifista israelense Peace Now (Paz Agora) informou nesta quinta-feira que colonos judeus quadruplicaram o ritmo das obras em assentamentos na Cisjordânia após o fim do congelamento israelense das construções na região, em 26 de setembro.

Segundo a ONG, que luta contra a ocupação israelense de territórios palestinos, o ritmo de construção agora seria quatro vezes mais rápido do que até novembro de 2009, antes do congelamento das construções.

A organização disse que os colonos começaram a construção de entre 600 e 700 novas habitações na Cisjordânia no mês passado mas, segundo Hagit Ofran, funcionário do Peace Now, o levantamento ainda está sendo concluindo.

"Estimo que o trabalho começou em cerca de 600 unidades de habitação (desde o fim do congelamento das construções) em estágios diferentes de construção, estou tentando completar a pesquisa para saber o número exato", disse Ofran à BBC.

"Em alguns lugares, eles estão apenas nivelando o terreno, em outros, é a fundação que está sendo escavada", afirmou.

‘Ritmo natural’

Um porta-voz palestino Ghassan Khatib, afirmou que o número divulgado pelo Peace Now é "alarmante e é outra indicação de que Israel não está sendo sério a respeito do processo de paz, que deveria tratar do fim da ocupação".

Por sua vez, o porta-voz do governo israelense, Mark Regev, afirmou que Israel quer "continuar progredindo com o processo de paz e todas as questões difíceis, todas as questões centrais do conflito estão na mesa, incluindo a questão delicada dos assentamentos".

"Neste meio tempo, a construção limitada que está ocorrendo não vai ter impacto nas determinações finais de um acordo de paz. No fim das contas, não é sobre os assentamentos, é sobre se chegar a um acordo de paz histórico", acrescentou.

Uma organização que representa os colonos judeus disse à BBC que eles não estão contando as casas e que os assentamentos precisam crescer em um ritmo natural.

A construção dos assentamentos na Cisjordânia foi retomada no mês passado apesar dos pedidos dos Estados Unidos, da ONU e de países europeus para que o governo israelense prolongasse o congelamento.

Mais 300 mil colonos moram no território palestino da Cisjordânia, em cerca de 150 assentamentos.

Pressão

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, foi pressionado pelo presidente americano, Barack Obama, para estender o prazo do congelamento. No começo de outubro, Netanyahu ofereceu a extensão do prazo do congelamento se os palestinos reconhecessem Israel como "Estado judeu".

Mas, a liderança palestina recusou a oferta afirmando que era injusta e desnecessária.

Israel ocupou a Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, em 1967 e enviou cerca de 500 mil colonos para viver em mais de cem assentamentos. Estes assentamentos são considerados ilegais, segundo as leis internacionais, mas Israel contesta isto.

Os palestinos, com o apoio da Liga Árabe, afirmaram que não vão retomar as negociações diretas sem um congelamento total das construções de assentamentos, mas deram aos negociadores americanos um prazo até novembro para resolver o impasse.

As negociações diretas de paz entre Israel e os palestinos foram retomadas em Washington em setembro depois de uma interrupção de quase 20 meses.

Notícias relacionadas