Infortúnios: 'sir' Bob e 'seu' Shia

Ivan Lessa em ilustração de Baptistão

Fiz uma rápida menção outro dia, neste canto de nosso sítio, a uma figura que conheço de trailer da mais recente tolice de Oliver Stone, que é um prosseguimento de seu grande sucesso, Wall Street. Leva, desta vez, o subtítulo de O Dinheiro Nunca Dorme.

Prossegue com Michael Douglas e sua única criação digna de nota, a do sórdido personagem Gordon Gekko, e que fim levou ele e seu mote de A cobiça é coisa boa, ou no original, Greed is good.

O novo subtítulo, acima mencionado, é uma tentativa de botar nos tomos uma frase a ser tão citada quanto, e tiro da cartola, o Teremos sempre Paris, que Humphrey Bogart murmurou para Ingrid Bergman em Casablanca. Tudo isso é secundário. Como o novo filme de Oliver Stone é secundário, segundo a crítica. No tal trailer a que me referi lá estava um novo – Ó, Senhor! – novo galã, ou galinho garnizé, para ser mais fiel à imagem que dele fica. Um pernilongo sendo engolido por um terno e uma gravata.

O que é que há, afinal de contas, com a Hollywood deste século que não consegue emplacar um galã nos moldes de outrora, como chamamos nós, ou mais velhos, ou apenas cinéfilos escolados? Não é possível viver de Ben Affleck, Bill Paxton, Greg Kinnear, Gerard Butler e outros robôs insossos.

Não acredito que naquele paisão do Obama não se consiga, com auxílio ou não da ciência genética, alguém que lembre ao menos, inda que vagamente – e atenção que vou enumerar tentando não deixar cair uma única pluma - gente do calibre (grosso) de Clark Gable, Burt Lancaster, Gary Cooper, Cary Grant, o nunca por demais citado Bogart, Henry Fonda e quejandos. Sim, até mesmo Fred Quejandos tinha mais charme, mais sex appeal que a figurinha a que venho me referindo, na falta de coisa melhor a fazer.

Prova de que minha vida é triste como a expressão física de Shia LeBoeuf é que me dei ao trabalho de ir aos tomos informáticos me informar mais sobre esse mosquito que promete atormentar nossas telas, não bastasse os já existentes.

Fiquei sabendo tudo que a Wikipédia e sítios especializados na sétima arte (cada vez mais beirando o quinto ou o quarto lugar na artística lista) podem informar. Como ele é muito moço, muito pouco informam. O que não é mau. O mínimo que fiquei sabendo recuso-me, por uma questão de princípio, de passar adiante. Há que se ao menos tentar manter um mínimo de dignidade em meio a essa pamonhice toda.

Adianto para a distinta plateia presente apenas a maneira correta de pronunciar o nome dessa figurinha a ser prontamente esquecida, lidas estas linhas. Shia LaBoeuf deve ser pronunciado sháia lebuff. E mais não digo.

Para terminar numa nota alta, e dissonante, volto minha atenção à humanitária figura auxiliar de “sir” Bob Geldof. E aviso logo que as aspas não são ironia. O cidadão em questão é irlandês e, portanto, a honraria é apenas mais uma invenção. Mais uma invenção? Qual a outra? Ou outras? “Sir” Bob que o diga. Que, com seu pronunciado sentimento de solidariedade humana, esclareça.

“Sir” Bob está perdendo uma fortuna e mais ainda tende a perder. Está lá nas páginas de economia da imprensa. A companhia de produção de “Sir” Bob, Ten Alps por nome, perdeu um contrato no valor de muitas milhões de libras porque seus serviços de instrução online, Teachers TV, levou uma fubecada firme com essa história de cortes no setor dos serviços públicos britânicos. Em menos de 24 horas, o humanitário auxiliador perdeu mais de metade de seus quase US$ 3 milhões de investimento.

Quer dizer que ele era – talvez continue sendo – multimilionário e ninguém sabia?

Pobre, pobre “sir” Bob. Ele que teve imenso sucesso com um único disco, há 31 anos, I Don't Like Mondays (“Não gosto das segundas-feiras”), agora se mostra aborrecido com as terças, quintas e até domingos.

Colegas da ex-profissão de“sir” Bob, que também não só se dizem mas também se acham músicos, já cogitam em dar um concerto em seu benefício. Bob-Aid é uma sugestão para o nome da solidária empreitada.