Petróleo e troca de acusações opõem Dilma e Serra em novo debate

Dilma Rousseff e José Serra
Image caption Dilma e Serra travaram confronto marcado por troca de acusações

Os candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) trocaram novos ataques na noite de segunda-feira sobre denúncias recentes envolvendo ex-aliados e sobre os planos de cada um para os projetos de exploração de petróleo no Brasil, durante o terceiro debate do segundo turno das eleições presidenciais.

O início do encontro, realizado pela Rede Record, foi marcado pelas tentativas dos candidatos de explorar as acusações contra Erenice Guerra, ex-ministra-chefe da Casa Civil, ligada a Dilma, e Paulo Vieira Souza, ex-diretor de Engenharia da Dersa, ligado a Serra.

Logo no primeiro bloco do debate, Dilma pediu que Serra explicasse suas ligações com Paulo Preto – apelido como Paulo Vieira Souza, acusado de ter recebido doações ilegais para campanhas tucanas, é conhecido.

A candidata petista afirmou que Souza coordenou os principais projetos de Serra no governo de São Paulo, incluindo as obras do Rodoanel, e foi "braço direito, braço esquerdo e talvez até a cabeça" do tucano em obras importante.

Serra reagiu e acusou Dilma de abordar o assunto apenas para tentar convencer o eleitor de que em política todo mundo é igual. "Não é não", afirmou o tucano. "Ela teve como braço direito uma senhora, a Erenice, que montou um amplo esquema de corrupção na Casa Civil."

Erenice Guerra era braço direito de Dilma Rousseff quando a candidata comandava a Casa Civil, mas deixou o cargo após ser acusada de participar de um suposto esquema de tráfico de influência envolvendo seus filhos.

Petróleo

A partir da segunda parte do debate, o confronto entre os dois candidatos girou em torno de opiniões que os rivais apontaram como contradições no discurso do adversário sobre a atuação da Petrobras.

Diante da tentativa da campanha de Dilma de acusar Serra de planejar "privatizar" a exploração de petróleo da camada do pré-sal, o candidato tucano procurou apontar o regime de concessões aplicado no governo Lula como um outro tipo de privatização no setor.

Serra afirmou que, na época em que Dilma era presidente do Conselho de Administração da Petrobras, "a empresa entregou concessões de petróleo a 108 empresas, metade brasileira, metade estrangeira".

A petista rebateu dizendo que Serra estava misturando as épocas. "Logo após a descoberta do pré-sal, suspendemos todos os leilões e mudamos o processo. Agora não são mais as empresas que controlam, é o Brasil", afirmou a candidata.

Serra voltou a dizer que o que Dilma fez foi privatizar a empresa. "Mas agora quem quer fazer isso é o demônio", afirmou o tucano, reiterando, no entanto, que não pretende fazer o mesmo com a exploração do pré-sal caso seja eleito.

O tucano afirmou que pretende "reestatizar a Petrobras, e tirar a empresa das mãos de pessoas como o ex-presidente Collor de Mello, que sofreu impeachment por corrupção, que hoje apoia Dilma fanaticamente, e comanda ações da BR Distribuidora, da Petrobras".

Em seguida, a exemplo de debates anteriores, os dois candidatos voltaram a discutir a suposta tentativa de troca de nome da estatal para Petrobrax.

Dilma retomou a acusação de que o governo de Fernando Henrique Cardoso pretendia tirar o caráter nacional da empresa. Serra disse que tratou-se apenas de uma ideia ruim, que nunca saiu do papel.

"Ninguém mudou o nome da Petrobras. Isso é mentira. A Dilma é mestre nessa arte. Ela inventa porque não tem como me atingir, pela retidão da minha vida pública, ela vem criando fantasias para enganar as pessoas do ponto de vista eleitoral", atacou o candidato tucano.

Reforma agrária

No trecho final do debate, Serra questionou sua adversária em relação à ligação do PT com o Movimento dos Sem-Terra (MST).

Dilma disse que o governo Lula nunca tratou nenhum movimento social "com cacetete ou com repressão" e que as invasões de terra diminuíram nos últimos anos graças ao diálogo.

O tucano lembrou que Dilma chegou a vestir um boné do MST e acusou o governo Lula de adotar uma atitude ambivalente ao fazer menos assentamentos do que o governo anterior e propor um limite para a atuação da Justiça em casos de invasões.

Por fim, os dois candidatos trataram, pela primeira vez nos debates do segundo turno, da questão ambiental, quando Dilma questionou Serra sobre suas políticas para a área.

A candidata petista afirmou que o governo Lula propôs metas voluntárias na última reunião da ONU sobre mudanças climáticas, em Copenhague, para a redução de gases que causam efeito estufa.

Já Serra citou iniciativas adotadas pelo governo de São Paulo e acusou o governo Lula de contribuir para o desmatamento da Amazônia ao dar crédito, por meio do BNDES, para a expansão da pecuária na região.

Notícias relacionadas