Gastos de candidatos em eleições nos EUA chegam a recorde de US$ 2 bi

Local de votação em Washington
Image caption Eleição é no dia 2, mas americanos já podem votar em muitas cidades, como em Washington

Os candidatos a vagas na Câmara dos Representantes e no Senado nas eleições legislativas americanas deverão gastar o recorde de US$ 2 bilhões (cerca de R$ 3,4 bilhões) até o dia da votação, em 2 de novembro, segundo levantamento de uma organização que monitora financiamento de campanhas.

Um relatório divulgado nesta terça-feira pela organização Public Campaign Action Fund, com sede em Washington, projeta arrecadação de US$ 1,275 bilhão (R$ 2,174 bilhões) e gastos de US$ 1,445 bilhão (R$ 2,463 bilhões) para os candidatos à Câmara.

Essa projeção tem como base os valores já arrecadados e gastos até agora e a evolução nas eleições em 2008, e representa a primeira vez que candidatos à Câmara nos Estados Unidos vão ultrapassar a marca de US$ 1 bilhão em gastos de campanha.

Na disputa para a Câmara em 2008, foram arrecadados US$ 978 milhões (cerca de US$ 1,67 bilhão) e gastos US$ 938 milhões (R$ 1,59 bilhão).

Para os candidatos ao Senado, a expectativa é de que os gastos neste ano ultrapassem US$ 500 milhões (R$ 852 milhões).

Desequilíbrio

A análise foi feita com base em dados fornecidos pela organização apartidária Center for Responsive Politics.

O valor total nas campanhas para as duas Casas do Congresso é o maior já gasto em eleições legislativas de metade de mandato, como esta, e é equivalente a US$ 4 milhões por cada vaga em jogo no Congresso.

“Os candidatos estão arrecadando mais dinheiro do que nunca em 2010 e estão gastando em um ritmo muito maior do que em 2008”, disse um dos diretores da Public Campaign Action Fund, David Donnelly.

O relatório da organização indica um desequilíbrio entre republicanos e democratas.

Segundo a Public Campaign Action Fund, até o fim do terceiro trimestre os candidatos republicanos à Câmara dos Representantes haviam arrecadado cerca de US$ 30 milhões (R$ 51 milhões) a mais que os democratas.

No mesmo período de 2008 a situação era inversa, e os republicanos haviam arrecadado US$ 64 milhões (R$ 109 milhões) a menos que o partido adversário.

Reta final

Na reta final da campanha, o presidente Barack Obama e outros líderes democratas têm viajado pelo país para participar de comícios em apoio a candidatos do partido.

O ritmo lento da recuperação da economia americana e a popularidade em queda de Obama poderão se refletir nas urnas, segundo especialistas.

Os democratas lutam para manter o poder na Câmara dos Representantes, mas analistas e cientistas políticos preveem que os republicanos vão conquistar a maioria na Casa.

A disputa no Senado é mais nebulosa e ainda não é possível prever o resultado com exatidão, já que em muitos Estados candidatos republicanos e democratas permanecem empatados nas pesquisas de intenção de voto.

O destaque destas eleições americanas têm sido os candidatos apoiados pelo movimento Tea Party, que reúne grupos conservadores contrários às políticas do governo Obama e favoráveis à redução da presença do Estado em diversos setores da sociedade.

Muitos desses candidatos conquistaram a indicação republicana vencendo políticos tradicionais, e agora ameaçam derrotar os democratas em vários Estados.

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