Setores decisivos na vitória de Obama podem apoiar republicanos, diz pesquisa

Tea Party
Image caption Eleitores republicanos se reúnem em encontro do movimento Tea Party

Às vésperas das eleições legislativas americanas, uma pesquisa divulgada pelo jornal The New York Times nesta quinta-feira indica que segmentos decisivos na vitória do presidente Barack Obama, em 2008, estão inclinados a optar por candidatos republicanos na votação de 2 de novembro.

Segundo a pesquisa, encomendada em conjunto com a rede CBS News, o percentual de mulheres que pretendem votar em republicanos neste ano supera em 4 pontos percentuais o das eleitoras que vão escolher candidatos democratas.

Em consultas anteriores, a preferência das eleitoras do sexo feminino era por democratas e, segundo o jornal, o resultado desta semana sugere que os republicanos conseguiram ganhar o apoio de mulheres indecisas nas últimas semanas.

De acordo com a pesquisa, que entrevistou 1.173 pessoas em todo o país entre os dias 21 e 26, além das mulheres, também os eleitores independentes, os católicos e os de baixa renda estão mais propensos a votar em republicanos, uma mudança em relação a pesquisas anteriores.

Foi com o apoio desses segmentos demográficos que em 2008 o Partido Democrata conquistou a maioria no Congresso.

Projeções

Dois anos depois, o ritmo lento da recuperação da economia americana e algumas medidas consideradas impopulares tomadas pelo governo Obama podem tirar a maioria dos democratas.

Estão em jogo nestas eleições todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 37 das cem vagas do Senado. Também serão eleitos governadores de 37 Estados.

Analistas e pesquisas de intenção de voto afirmam que o Partido Republicano deverá conquistar a maioria na Câmara dos Representantes.

As projeções mais recentes são de que os republicanos podem conquistar até 50 cadeiras na Câmara, o que daria ao partido a maioria, com 230 deputados. Os democratas ficariam com 205 cadeiras.

No Senado, a situação permanece indefinida, e candidatos dos dois partidos aparecem empatados nas pesquisas em vários Estados.

Daily Show

Image caption Obama é o primeiro presidente a aparecer no programa de comédia Daily Show

Enquanto os republicanos aproveitam o clima de decepção com o governo Obama entre muitos eleitores americanos para impulsionar suas campanhas, líderes democratas se engajam em um esforço final a poucos dias da votação.

O próprio presidente tem participado de comícios em vários Estados para apoiar candidatos do partido e dado entrevistas a diversos jornais e emissoras de TV.

Na noite desta quarta-feira, foi a vez do Daily Show, apresentado pelo humorista Jon Stewart e que tem muitos jovens entre seu público.

Obama é o primeiro presidente americano a aparecer no programa (ele já havia participado outras vezes antes de chegar à Casa Branca), veiculado pelo canal a cabo Comedy Central.

Tempo

Na entrevista, Obama pediu mais tempo para promover as mudanças prometidas e disse que seu governo levou adiante uma agenda de projetos que estão fazendo diferença nas vidas dos americanos.

“Eu espero, e a maioria dos democratas espera, que as pessoas queiram ver mais progresso”, disse o presidente.

Ao ser questionado sobre as promessas de mudança feitas durante a campanha em 2008, Obama disse que isso não vai acontecer “da noite para o dia”.

O apresentador do programa é considerado um liberal e é personagem popular nos Estados Unidos. Neste fim de semana, Stewart lidera a chamada "passeata para restaurar a sanidade".

O evento, realizado em Washington, terá a presença de outras estrelas do Comedy Central e é definido pelos organizadores como "uma manifestação para pessoas que estão muito ocupadas para participar de manifestações", em referência a vários protestos realizados recentemente no país, muitos deles promovidos por adeptos do movimento conservador Tea Party.

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