Sindicatos da França pedem que mobilização contra reforma da previdência continue

Protesto em Marselha contra reforma previdenciária
Image caption Greve e protestos nesta quinta-feira tiveram menos apoio nas ruas

Apesar da forte diminuição dos protestos contra a reforma da previdência na França, sindicatos do país lançaram nesta quinta-feira um apelo pela continuidade da mobilização, com o objetivo de convencer o presidente Nicolas Sarkozy a não promulgar a lei que aumenta a idade mínima de aposentadoria de 60 para 62 anos.

As manifestações e greves na França nesta quinta-feira contra a reforma, já aprovada pelo Parlamento, foram marcadas por uma redução pela metade no número de manifestantes, segundo o governo e também os sindicatos.

As 269 passeatas organizadas no país, nesta sétima jornada de protestos e greves desde setembro, reuniram apenas 560 mil pessoas, de acordo com o ministério do Interior, ou quase 2 milhões, segundo a confederação sindical CGT – que emitiu um comunicado pedindo que a mobilização continue.

Em 19 de outubro, dia da última jornada de mobilização contra a reforma, o número de manifestantes havia sido de 1,1 milhão, segundo a polícia, e de 3,5 milhões, de acordo com a CGT.

“Mesmo se a mobilização é menor do que nas manifestações anteriores, ela continua impressionante, se considerarmos que a reforma já foi aprovada”, afirmou Bernard Thibault, secretário-geral da central sindical.

Férias

Além da aprovação definitiva do texto pelo Parlamento, na quarta-feira, o atual período de férias escolares também contribuiu para reduzir o número de manifestantes e grevistas, admitem os líderes sindicais.

Outro fator apontado pelos sindicatos é o do custo financeiro das paralisações para os trabalhadores, já que os dias de greve são descontados dos salários.

“É um risco que nós assumimos, mas não é porque uma lei foi votada que ela seria justa e que não é mais preciso contestá-la”, disse François Chérèque, secretário-geral da confederação CFDT.

O Partido Socialista informou que irá apresentar na próxima terça-feira ao Conselho Constitucional um recurso contra a reforma da previdência.

A previsão é de que Sarkozy promulgue a lei em meados de novembro, após a análise do Conselho Constitucional.

“Estamos caminhando para uma saída da crise nos próximos dias ou semanas”, afirmou Eric Woerth, ministro do Trabalho.

O número de grevistas nas empresas e órgãos públicos também foi bem menor nesta quinta. Apenas 5,33% dos servidores fizeram greve contra 19% em 12 de outubro e 11,5% no dia 19, segundo o governo.

Os transportes públicos foram afetados em vária cidades, mas de maneira menos problemática. A estatal ferroviária SNCF informou que houve 16,8% de grevistas. No dia 12, o número havia sido de 40,4%.

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