Corpo de Kirchner é levado para enterro na Patagônia

Cortejo fúnebre de Kirchner em Buenos Aires (Foto: AP)
Image caption Cortejo do presidente foi acompanhado por multidão em Buenos Aires

Milhares de pessoas acompanharam nesta sexta-feira nas ruas de Buenos Aires a passagem do cortejo fúnebre com o corpo do ex-presidente Néstor Kirchner, que morreu após uma parada cardiorrespiratória na quarta-feira.

Depois de ser velado por mais de 24h na Casa Rosada (sede do governo argentino), o corpo foi levado para o aeroporto local de Buenos Aires. Lá foi embarcado para a cidade de Río Gallegos, na Patagônia (sul do país), onde já chegou e deve ser enterrado ainda nesta sexta-feira.

De guarda-chuva, às lágrimas e aplaudindo, a multidão jogou flores no carro onde estava o caixão e acenou com bandeiras da Argentina. Muitas vezes o cortejo, acompanhado por policiais federais, foi parado pela forte aglomeração de simpatizantes.

O carro fúnebre foi seguido por outro onde estava a viúva e presidente argentina, Cristina Kirchner. Ela e os filhos do casal embarcaram no mesmo avião que o caixão.

Atraso

A programação inicial para o fim do velório e o enterro foi alterada por determinação da própria presidente, diante da fila quilométrica de populares que queriam passar em frente ao caixão, num dos salões da Casa Rosada.

Inicialmente, o corpo seria embarcado às 10h da manhã, mas isso só ocorreu quatro horas mais tarde.

Na peregrinação para chegar ao local do velório, simpatizantes do ex-presidente passaram até sete horas na fila, que começou na manhã da quinta-feira e não foi interrompida nem durante a madrugada desta sexta.

Cristina, de vestido negro e óculos escuros, esteve, uma vez mais, junto ao caixão do marido, quase sempre em silêncio. Chorou várias vezes, jogou beijos para os populares e levou a mão direita ao coração, num gesto de agradecimento.

Em alguns momentos, Cristina se aproximou da fila para abraçar e beijar os populares. “Força, temos que ser fortes”, dizia, em voz baixa, ao abraçá-los.

Braço direito

A morte ocorreu a um ano das eleições para a Casa Rosada, na qual se especulava que Néstor Kirchner fosse ser candidato a voltar à Presidência, após governar entre 2003 e 2007.

“Ela (Cristina) terá nosso apoio. Daqui até lá e muito mais”, dizia o deputado governista Dante Gullo, do lado de fora da Casa Rosada.

O analista Joaquín Morales Solá, do jornal La Nación, critico do governo e do "kirchnerismo", disse que começa uma etapa de “muitas perguntas” sobre o destino do governo, sem o ex-presidente ao lado de Cristina.

Leia mais na BBC Brasil: Morte de Kirchner abre disputa sobre liderança do peronismo

Nesta sexta-feira, a imprensa local especulava que o filho mais velho do casal, Maximo, se tornará a partir de agora o braço direito da presidente.

“Círculo político e analistas do mercado acreditam que ele terá papel de destaque ao lado da mãe”, escreveu o jornal Clarín.

Maximo participou da recente fundação de uma linha da juventude peronista.

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