Voto conservador em Nevada reflete insatisfação nacional

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Uma caminhada pelo centro de Reno, cidade de pouco mais de 200 mil habitantes no Estado americano de Nevada, mostra as cicatrizes ainda recentes da recessão que atingiu o país e ajuda a explicar a ascensão do fenômeno conservador Tea Party.

O movimento, que reúne vários grupos contrários às políticas do presidente Barack Obama e à interferência do Estado em diversos setores da sociedade, ganhou força na campanha para as eleições legislativas de 2 de novembro, ao ameaçar a vaga não apenas de políticos democratas consagrados, mas também de republicanos mais moderados.

Na rua principal de Reno, um punhado de turistas divide espaço com mendigos em busca de esmolas. Os cassinos e hotéis, base da economia local, permanecem quase vazios e são um exemplo de que, como o próprio presidente Obama já disse, os Estados Unidos ainda têm pela frente um longo caminho rumo à recuperação pós-crise.

Com sua economia baseada no turismo e na construção civil, dois setores fortemente atingidos pela crise econômica, a cidade é um retrato do que ocorre em Nevada, Estado com alguns dos piores indicadores econômicos do país e berço de uma das maiores estrelas do Tea Party nestas eleições, a candidata ao Senado Sharron Angle, que concorre pelo Partido Republicano.

"Sempre há um tipo de partido antigoverno nas eleições legislativas que ocorrem na metade do mandato presidencial. Mas agora, há o agravante da economia, que vai mal", disse à BBC Brasil o cientista político Eric Herzik, professor da Universidade de Nevada em Reno.

"A grande questão é a economia. A taxa de desemprego é de 9,6% no país, e em Nevada é de mais de 14%. Há um colapso do mercado imobiliário que parece nunca chegar ao fim. E ainda há duas guerras impopulares", afirma Herzik.

Raiva

Em um país que sofre com o ritmo lento da recuperação da economia, Nevada aparece em situação ainda pior. No ano passado, a população do Estado diminuiu, pela primeira vez desde a Grande Depressão. Nevada tem a mais alta taxa de desemprego do país, os maiores índices de execuções de hipotecas e de falências e o maior déficit orçamentário.

Nesse cenário, a conservadora cristã Angle despontou pregando a redução da interferência do Estado, de gastos públicos e de impostos, e a oposição a quase todas as medidas do governo Obama, desde a reforma do sistema de saúde até os pacotes de resgate aos bancos.

Com essa plataforma, Angle ganhou a adesão dos americanos que perderam a paciência de esperar por melhoras na economia e pode acabar conquistando a cadeira do líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, com quem há meses aparece empatada nas pesquisas de intenção de voto.

"Acho que o governo Obama pode dizer com justiça que herdou muito do problema econômico. Mas suas políticas imediatas de estímulo e sua segunda parte do resgate aos bancos, e mesmo alguns dos esforços para recuperar o mercado imobiliário, talvez até estejam funcionando, mas ainda não vimos o resultado", diz Herzik.

"Nacionalmente, os americanos estão com raiva. Sharron Angle representa essa raiva na sociedade americana neste momento", afirma o cientista político.

Como é próximo de Obama e participou da maioria das políticas do governo, Reid acaba canalizando boa parte dessa raiva, que é visível nas ruas de Reno.

"Reid apoia os planos do governo Obama em vez de representar os interesses do nosso Estado", disse à BBC Brasil a estudante de psicologia Katherine Fortuna, 19 anos, enquanto fazia campanha por Angle em frente à Universidade de Nevada.

"Angle não é influenciada pelo governo de Obama e por seus planos", disse a estudante, que vai votar pela primeira vez neste ano.

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