Explosivos interceptados foram transportados em aviões de passageiros

Explosivos estavam dentro de impressoras endereçadas aos Estados Unidos
Image caption Explosivos estavam dentro de impressoras endereçadas aos Estados Unidos

A companhia aérea Qatar Airways informou que um dos dois pacotes com explosivos vindo do Iêmen, que seria enviado aos Estados Unidos, foi transportado em dois aviões de passageiros antes de sua apreensão em Dubai.

Até o momento, acreditava-se que os pacotes tinham sido transportados em aviões de carga.

Mas, um dos dispositivos foi transportado em um Airbus A320 da companhia, saindo da capital do Iêmen, Sanna, para Doha, segundo informações da Qatar Airways dadas à BBC. Em seguida, o pacote foi transferido para outro avião da Qatar Airways, que foi para Dubai, onde o pacote foi apreendido pela polícia.

A companhia aérea não informou que o tipo de avião de passageiros foi usado para transportar o dispositivo entre Doha e Dubai, mas afirmou que provavelmente foi um A320, um A321 ou um Boeing 777.

"A Qatar Airways pode confirmar que uma encomenda recente foi levada a bordo de uma de suas aeronaves, de Sanaa para Dubai, via Aeroporto Internacional de Doha", informou a declaração na página da companhia na internet.

"A transportadora também declarou que, de acordo com a Convenção de Chicago, não é responsabilidade do país no qual a carga transita examinar (a carga) com raio-X ou cães farejadores. Esta responsabilidade é do país de origem da encomenda."

"Além do mais, os explosivos descobertos eram de uma natureza sofisticada, por isso não podiam ser identificados com raio-X ou por cães farejadores. Os explosivos foram descobertos apenas depois do recebimento de informações secretas", acrescentou a declaração.

Os dois pacotes, interceptados na sexta-feira por autoridades da Grã-Bretanha e de Dubai, iriam do Iêmen aos Estados Unidos, desencadeando alertas nos Estados Unidos, na Grã-Bretanha e no Oriente Médio.

As duas bombas estavam dentro de cartuchos de impressoras e estavam endereçadas a sinagogas nos Estados Unidos.

Um dos pacotes foi interceptado no aeroporto de East Midlands, na Grã-Bretanha e, segundo o primeiro-ministro britânico, David Cameron, o explosivo foi projetado de modo a explodir a aeronave.

Um segundo objeto que continha explosivos foi encontrado num avião em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

A polícia de Dubai informou que o pacote continha o explosivo pentaeritritol (PETN) – o mesmo usado em uma tentativa de atentado em um avião que fazia o voo entre Amsterdã e Detroit no Natal de 2009 – e trazia as marcas registradas da organização terrorista Al-Qaeda.

Suspeito

De acordo com a imprensa americana, as autoridades teriam dado o nome de um cidadão da Arábia Saudita, Ibrahim Hassan al-Asiri, responsável pela fabricação de bombas, como o principal suspeito.

Ele seria um dos líderes da Al-Qaeda na Península Arábica e teria organizado o ataque suicida contra o chefe do serviço secreto saudita, Prince Mohammed bin Nayef, que sobreviveu ao ataque. Neste ataque foi usado o mesmo tipo de explosivo encontrado nos pacotes, o PETN.

O principal assessor de Obama para assuntos de segurança nacional e contraterrorismo, John Brennan, afirmou que autoridades americanas acreditam que a mesma pessoa fabricou as bombas escondidas em impressoras e a bomba transportada em uma tentativa de ataque em dezembro de 2009, nos Estados Unidos.

Brennan informou também que os Estados Unidos também voltaram a examinar a queda ainda não explicada de um avião de carga da UPS em Dubai, ocorrida em setembro, para tentar descobrir algum fato novo.

As autoridades do Iêmen estão interrogando uma estudante suspeita de enviar os dois pacotes aos Estados Unidos. Grupos de defesa dos direitos humanos identificaram a suspeita como Hanan al-Samawi, de 22 anos.

As autoridades informaram inicialmente que ela era uma estudante de medicina. Informações divulgadas depois afirmam que ela é uma estudante de engenharia da computação na Universidade de Sanaa e não tinha ligação com grupos islâmicos. A mãe de Hanan al-Samawi também foi detida.

As autoridades iemenitas também estão ampliando as buscas por outros suspeitos de envolvimento no envio dos pacotes de explosivos.

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