Dilma diz que será ‘presidenta’ de todos e que baterá à porta de Lula

A presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, durante discurso neste domingo (Reuters)
Image caption Dilma afirmou que terá mão estendida para a oposição

Dilma Rousseff fez na noite de domingo seu primeiro pronunciamento como presidente eleita do Brasil, pouco após ter vencido o segundo turno das eleições com 56% dos votos válidos, contra 44% do candidato do PSDB, José Serra.

Acompanhada pelo vice-presidente eleito, Michel Temer, além de membros do PT, PMDB e outros partidos da base de apoio à sua candidatura, Dilma ressaltou a importância de ser a primeira mulher eleita para comandar o país e disse que o primeiro compromisso de seu governo é com a igualdade de gêneros.

“Meu primeiro compromisso é com as mulheres brasileiras (...). A igualdade de oportunidades entre homens e mulheres é princípio essencial da democracia”, disse.

“Gostaria muito que pais e mãe pudessem olhar para suas meninas, nos olhos delas e dizer: sim, a mulher pode”.

Leia também na BBC Brasil: Dilma Rousseff é eleita primeira mulher presidente do Brasil

Lula

Apresentando-se como “presidenta de todos os brasileiros e brasileiras”, Dilma agradeceu ainda apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à sua candidatura.

Ex-ministra da Casa Civil e das Minas e Energia, Dilma foi indicada por Lula para ser sua sucessora. O presidente participou ativamente de sua campanha.

Em seu discurso, Dilma afirmou que a tarefa de suceder Lula será “difícil e desafiadora”.

“Mas saberei honrar esse legado”, disse. “Baterei muito à sua porta e tenho certeza que a encontrarei sempre aberta”, acrescentou.

Leia também na BBC Brasil: Saiba quais são os principais projetos e ideias de Dilma Rousseff

No momento em que Dilma agradeceu o presidente, a plateia interrompeu seu discurso sob os gritos de “Lula”.

Políticos aliados a Dilma e ao presidente Lula ajudaram a lotar o auditório de um hotel em Brasília, onde por quase duas horas aguardaram a chegada da eleita.

Membro de um governo que chegou a ser acusado de interferir na liberdade de imprensa, Dilma afirmou que, em seu mandato, zelará “pela mais ampla liberdade de imprensa” e “liberdade religiosa e de culto”.

“Prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras”, acrescentou em seguida.

Miséria

A presidente eleita ainda afirmou que seu compromisso fundamental “é a erradicação da miséria”.

“A erradicação da miséria nos próximos anos é uma meta que assumo e para a qual peço humildemente o apoio de todos”.

A candidata ainda se comprometeu com a estabilidade econômica e fez um aceno para a oposição.

“Estendo minha mão a eles, de minha parte não haverá discriminação, privilégios ou compadrio”.

Aliados

Dilma chegou ao auditório acompanhada de um grupo de aliados mais próximo, dentre eles o ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e seu antecessor na Casa Civil, José Dirceu.

A plateia estava lotada de outros integrantes do governo atual, como o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, o chanceler Celso Amorim e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Dilma atrasou seu discurso em mais de uma hora, na expectativa de um telefonema do candidato derrotado, José Serra.

A primeira tentativa de contato do tucano foi feita depois das 22h, já durante o pronunciamento de Dilma Rousseff, o que impediu que os dois se falassem.

Terminado o discurso, Dilma e diversos aliados seguiram diretamente para o Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente.

Notícias relacionadas