Em livro de memórias, Bush justifica ‘tortura’ de mentor do 11 de setembro

Capa do livro Decision Points, de George W. Bush
Image caption Livro de George W. Bush deverá ser lançado na semana que vem

O ex-presidente americano George W. Bush admitiu ter autorizado “técnicas duras de interrogatório” contra o suspeito de ser o mentor dos atentados de 11 de setembro de 2001 em seu livro de memórias, Decision Points, que será lançado na semana que vem.

Em trechos do livro obtidos pelo jornal The New York Times, Bush defende sua decisão, dizendo que quando a CIA (a agência de inteligência americana) o questionou se poderia submeter Khalid Sheikh Mohammed a um afogamento simulado, ele teria dito: “Com certeza”.

Para Bush, o interrogatório de Mohammed, capturado no Paquistão em 2003 e detido desde 2006 no campo de Guantánamo, ajudou a “salvar vidas”.

O governo americano chama a técnica de afogamento simulado de “interrogatório intensificado”, mas advogados dos presos e grupos de defesa dos direitos humanos dizem que ela é tortura e deveria ser proibida.

Iraque

O livro de memórias de Bush, de 64 anos, não traz um relato completo de sua Presidência nem comentários sobre o atual governo de seu sucessor, o democrata Barack Obama, mas está centrado em 14 grandes decisões tomadas pelo ex-presidente, entre elas a decisão de parar de beber e as decisões tomadas após os ataques de 11 de setembro de 2001.

Ele também defende no livro sua decisão de invadir o Iraque em 2003. Bush afirma que ela foi correta porque “os Estados Unidos estão mais seguros sem um ditador homicida” que buscava armas biológicas ou químicas e “o povo iraquiano está melhor com um governo que responde a eles em vez de torturá-los e assassiná-los”.

Apesar disso, ele admite ter sentido uma “sensação de náusea” ao descobrir que nenhuma arma de destruição em massa havia sido encontrada no Iraque após a invasão. A suposta existência desses armamentos foi a principal justificativa para a guerra.

“Ninguém ficou mais chocado e bravo do que eu quando não encontramos as armas. Tinha uma sensação de náusea todas as vezes que pensava nisso. E ainda tenho”, diz Bush.

Cheney

Outro ponto polêmico relatado por Bush em suas memórias é sua relação com seu vice, Dick Cheney.

Bush diz ter avaliado a possibilidade de trocar de vice para a campanha à reeleição, em 2004, para dissipar os rumores sobre os poderes de Cheney na Casa Branca e para provar que “eu estava no comando” .

Segundo Bush, o próprio Cheney sugeriu em 2003 a possibilidade de ser trocado como vice para as eleições de 2004. O ex-presidente diz ter se convencido a manter o vice após passar semanas analisando a possibilidade de chamar o então líder da maioria republicana no Senado, Bill Frist, para substituí-lo.

“Apesar de Dick ter ajudado com partes importantes de nossa base, ele havia se tornado um pára-raios para críticas da mídia e da esquerda”, diz Bush. “Ele era visto como obscuro e sem coração – o Darth Vader do governo”, afirma.

“Quanto mais pensava sobre isso, mais me convencia de que Dick deveria ficar. Não o escolhi para ganhar vantagem política, eu o escolhi para me ajudar no trabalho. E foi exatamente isso que ele havia feito”, relata o ex-presidente ao justificar a manutenção do vice no segundo mandato.

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