Apedrejamento de Sakineh seria uma 'coisa bárbara', diz Dilma

Presidente eleita indica que dará continuidade aos diálogos entre Brasil e Irã.
Image caption Iraniana condenada por adultério pode ser executada nos próximos dias

A presidente eleita, Dilma Rousseff, disse nesta quarta-feira ser "radicalmente contra" o apedrejamento da iraniana Sakineh Ashtiani, acusada de adultério e homicídio em seu país.

"Eu não tenho nenhum status oficial para fazer isso, mas (...) acho uma coisa muito bárbara o apedrejamento da Sakineh", afirmou Dilma.

"Mesmo considerando os usos e costumes de outros países, continua sendo muito bárbaro."

Mais cedo, a ativista iraniana Mina Ahadi, porta-voz do Comitê Internacional contra Apedrejamento (Icas, na sigla em inglês), disse esperar que a presidente eleita intervenha para tentar evitar a execução de Sakineh.

"Dilma é mulher e conhece bem os problemas enfrentados por mulheres", disse Mina, por telefone, à BBC Brasil.

Leia também na BBC Brasil: Ativista iraniana espera intervenção de Dilma contra execução de Sakineh

A execução de Sakineh estava marcada para esta quarta-feira, mas não ocorreu, segundo o Icas. Com a pressão internacional contra o apedrejamento, a iraniana pode ser executada por enforcamento.

Questionada sobre a relação do Brasil com o Irã, a futura presidente disse que o diálogo continuará com todos os países do mundo.

"Nós não temos nenhuma política de agressão, de violência. Nós defendemos a paz. Aqueles que dialogarem conosco em paz, serão recebidos em paz."

Dilma disse que tem uma "posição intransigente” quanto aos direitos humanos. Ela se disse favorável a manifestações que conduzam a uma melhoria nesta área, “mas não necessariamente estrondosa”.

“Muitas vezes, para conseguir melhoras nos direitos humanos, você tem de negociar”, afirmou Dilma.

Em uma entrevista coletiva no Palácio do Planalto nesta quarta-feira, Dilma disse que, em relação aos demais países em desenvolvimento, a sua linha de atuação seguirá, "sem sombra de dúvida", idêntica à conduzida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, "até porque o Brasil progressivamente está virando uma potência regional".

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