EUA não reconhecem primeiras eleições de Mianmar em 20 anos

Cartazes eleitorais em Mianmar
Image caption Autoridades são acusadas de dinamitar chances da oposição

Os Estados Unidos criticaram duramente as eleições realizadas neste domingo em Mianmar, afirmando que o processo eleitoral foi "tudo menos livre e justo".

Em um comunicado divulgado neste domingo, a Casa Branca afirma que o votação - a primeira no país em 20 anos - "não atendeu a nenhum padrão internacional associado a eleições legítimas".

"As eleições foram baseadas em um processo fundamentalmente cheio de falhas e demonstraram a preferência do regime por continuada repressão e restrições em relação à inclusão e transparência", diz a nota do governo americano.

O chanceler britânico, William Hague, também criticou o pleito, dizendo que ele não é "livre, justo ou conclusivo".

Os generais no poder alegam que o pleito marcará uma transição para um regime democrático civil, mas a oposição alega que o processo é uma farsa.

As autoridades eleitorais são acusadas de dinamitar o espaço do principal partido da oposição, a Liga Nacional para a Democracia, que está boicotando as eleições.

O partido é liderado pela vencedora do prêmio Nobel Aung San Suu Kyi, que está presa. Em 1990, seu partido venceu as eleições, mas foi impedido de assumir o poder.

Observadores internacionais e jornalistas estrangeiros não foram autorizados a acompanhar a votação.

Um correspondente da BBC em Rangoon, a maior cidade do país, diz que não houve clima de campanha nas ruas nem filas nos postos de votação. Eleitores relataram ao correspondente que funcionários públicos birmaneses estavam sendo pressionados a votar em candidatos aliados da junta militar.

O embaixador britânico no país, Andrew Heyn, disse que Mianmar "perdeu uma oportunidade" de reconciliar o país e abraçar a democracia.

Em sua nota, os EUA pressionam para que Mianmar liberte mais de 2,1 mil prisioneiros políticos, incluindo Aung San Suu Kyi.

Boicotes

Participaram do pleito 37 partidos e cerca de 3 mil candidatos, sendo que dois terços deles concorrem em legendas apoiadas pela junta militar no poder.

Segundo a oposição, autoridades estariam ameaçando demitir de seus empregos trabalhadores que não votassem para os candidatos oficialistas.

Image caption Comunidade internacional pede libertação de Aung San Suu Kyi

O regime também é acusado de rejeitar as candidaturas de partidos ligados a determinados grupos étnicos e cancelar a votação em outras áreas onde as características étnicas desfavorecem o governo.

Na véspera das eleições, a polícia patrulhava as ruas do país, e lojas fecharam suas portas. A mídia estatal instou os cidadãos a votar e advertiu contra boicotes. Mas, aparentemente, o comparecimento às urnas foi modesto.

A internet saiu do ar nos últimos dias no país, o que, segundo críticos, foi uma tentativa da junta militar de restringir as comunicações durante o período eleitoral.

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