Lula diz que vai 'sentir falta dos microfones' quando deixar Planalto

Lula visita instalações do Instituto Nacional de Educação a Distância (Ined), em Maputo. Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação
Image caption Em Moçambique, Lula faz sua 12ª visita ao continente africano

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira, em Moçambique, que vai “sentir falta dos microfones” quando deixar o poder, em janeiro do ano que vem.

Diante de uma plateia que assistia ao presidente na capital, Maputo, e nas cidades de Lichinga e Beira, por teleconferência, Lula falou durante o lançamento das primeiras operações moçambicanas da Universidade Aberta do Brasil (UAB), de ensino à distância.

“Está faltando menos de dois meses para eu deixar a Presidência do Brasil, e eu vou sentir falta dos microfones, de falar diretamente aos alunos de Maputo, Lichinga e Beira”, disse o presidente.

O presidente iniciou nesta terça-feira uma visita de dois dias a Moçambique. Esta é a 12ª visita de Lula à África. Ele já esteve em 27 países africanos, mais da metade de todas as nações do continente.

Lula voltou a afirmar que o Brasil tem uma relação “histórica” com a África e a defender a chamada “diplomacia sul-sul” com os países do continente.

“Quando nós decidimos priorizar a nossa relação com o continente africano e, dentro dele, os países de língua portuguesa, tem algumas razões. Primeira, é a dívida histórica com a formação do povo brasileiro, que tem muito a ver com o povo africano. O povo brasileiro é o que é por causa da nossa miscigenação e dessa mistura extraordinária entre africanos, índios e europeus”, disse.

“Essa, na verdade, é uma vantagem comparativa que nós deveríamos ter em relação ao resto do mundo, mas como nós tivemos a nossa cabeça colonizada por séculos, nós aprendemos que somos seres inferiores”, prosseguiu.

Educação e saúde

Com o lançamento do ensino à distância da UAB em Moçambique, 620 alunos do país poderão iniciar os quatro cursos de ensino à distância (matemática, biologia, pedagogia e administração pública) elaborados em conjunto por educadores brasileiros e moçambicanos, com tutoria de professores nos dois países.

Na quarta-feira, Lula visitará as instalações do que será uma fábrica de medicamentos com capacidade de fazer, entre outros, remédios para o combate à Aids. Os antirretrovirais devem começar a ser produzidos em dois anos.

Entre os projetos que Lula vai lançar durante a viagem, dois são na área de saúde – um será o acordo para instalar um banco de leite materno, e outro para criar no país um centro de excelência voltado para a saúde materna a infantil.

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