Lula diz que Dilma aprofundará políticas para a África

Lula em Moçambique
Image caption Lula assinou acordos de cooperação nas áreas agrícola e de saúde

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou para membros do governo moçambicano nesta terça-feira que a sua sucessora, Dilma Rousseff, continuará e aprofundará as políticas do Brasil para a África.

Durante um brinde oferecido antes do jantar cerimonial ao presidente moçambicano, Armando Guebuza, ministros do governo e convidados especiais, Lula disse que Dilma tem “os mesmos compromissos que eu com a África”.

“Saio daqui com a convicção de que apenas estamos começando nosso trabalho com o continente africano. A nossa futura presidente da República, podem ter certeza disso, tem os mesmos compromissos que eu tenho com a África, porque ela participou junto comigo da elaboração de muitas das políticas que nós fizemos na África”, afirmou Lula.

“Estejam certos de que a política do Brasil para o continente africano, para Moçambique, irá continuar e se fortalecer.”

A preocupação de Lula em reiterar a continuidade dos compromissos do próximo governo com a África vem no momento em que observadores tentam adivinhar para que direção apontará a política externa de Dilma.

Até agora não há sinais de que ela tenha intenção de mudar as linhas gerais do governo em termos de compromissos com os países africanos – alguns apostam que ela poderá mudar a sua equipe para consolidar, mais que reformar, os avanços de Lula nesse campo.

Havia uma grande expectativa de que a presidente eleita acompanhasse Lula nesta viagem, mas ela acabou decidindo ir apenas para a próxima perna da viagem presidencial, a reunião do G20 na Coreia do Sul.

É que, diante das necessidades prementes de negociar a transição de governo, Dilma decidiu comparecer apenas aos compromissos multilaterais, como uma reunião sul-americana da Unasul e o encontro do clima da ONU.

Mais cedo, o chanceler Celso Amorim também tocou no assunto da política externa do governo de Dilma Rousseff. Disse acreditar que ela não apenas continuará, mas “colocará em um patamar mais elevado” as políticas iniciadas no governo Lula.

“Eu a conheço muito bem do tempo em que ela era ministra e acho que ela conhece muito bem os assuntos internacionais. Porque ela acompanhou o presidente em diversas viagens internacionais e, até por lidar com os temas com que ela lidou, como energia, biocombustíveis, TV digital, tudo isso deu uma grande dimensão da geopolítica mundial.”

Acordos

O presidente concluiu o primeiro dia de sua visita a Maputo, a terceira ao país e 12ª ao continente africano. Lula já esteve em 27 países da África, mais da metade de todas as nações africanas.

Mais cedo, ele discursou durante o lançamento das primeiras operações moçambicanas da Universidade Aberta do Brasil (UAB), de ensino à distância.

Com isso, 620 alunos de Moçambique poderão iniciar os quatro cursos de ensino à distância (matemática, biologia, pedagogia e administração pública) elaborados em conjunto por educadores brasileiros e moçambicanos, com tutoria de professores nos dois países.

O presidente também assinou acordos, entre os quais o que prevê ajuda brasileira no início da pesquisa para desenvolver a savana africana do ponto de vista agrícola, a construção de um banco de leite materno para ajudar a combater a mortalidade infantil em Moçambique e a instituição de uma organização moçambicana voltada para a saúde materno-infantil.

Na quarta-feira, Lula visitará as instalações do que será uma fábrica de medicamentos com capacidade de fazer, entre outros, remédios para o combate à Aids. Os antirretrovirais devem começar a ser produzidos em dois anos.

Durante o brinde ao presidente moçambicano, Lula voltou a dizer que a relação do Brasil com a África se deve a uma “dívida histórica” e defendeu as políticas de compartilhamento de conhecimento.

“Viemos ao continente africano pagar uma dívida que não pode ser paga financeiramente. Pagar uma dívida que não pode ser mensurada do ponto de vista monetário, mas com políticas de compartilhamento das coisas boas que sejamos capazes de produzir”, disse Lula.

“O Brasil não tem dinheiro, mas tem conhecimento que pode partilhar com o continente africano e com Moçambique. Seja do ponto de vista da política industrial, agrícola, alimentar, da interligação tecnológica, o Brasil tem muito para contribuir.”

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