EUA estão no caminho para resolver 'mal-entendidos' com o Islã, diz Obama

Obama e Yudhoyono
Image caption Obama (com o presidente Yudhoyono) passou parte da infância na Indonésia

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta terça-feira, em visita à Indonésia, que as tensões com o mundo muçulmano permanecem, mas que os EUA estão “no caminho certo” para o entendimento com o Islã.

“Quanto à mão estendida ao mundo muçulmano, nosso esforços foram sérios, sustentados. Não tenho a expectativa de que vamos eliminar completamente os mal-entendidos e a desconfiança desenvolvidos durante um longo período de tempo, mas estamos no caminho certo”, disse o presidente americano.

Obama está na segunda parada de um giro de dez dias pela Ásia destinado a alavancar as exportações americanas e a geração de empregos nos Estados Unidos.

A Indonésia, onde Obama passou quatro anos de sua infância, é a maior nação muçulmana do mundo.

“Estamos tentando construir pontes e expandir nossa interação com países muçulmanos”, disse Obama, em entrevista coletiva ao lado do presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono.

‘Desconfiança’

O entendimento com o mundo muçulmano foi tema de um discurso histórico de Obama, no Cairo, em junho de 2009, quando o americano propôs ao Islã o fim da “desconfiança”.

Desde então, no entanto, muitos islâmicos reclamaram da ausência de ações concretas. E seguem emperrados os esforços americanos para avançar no processo de paz israelo-palestino (assentamentos judaicos em Jerusalém Oriental foram criticados por Obama nesta terça), na resolução do impasse quanto ao programa nuclear iraniano e até mesmo na Guerra do Afeganistão.

Obama disse nesta terça que as questões de terrorismo e extremismo costumam dominar as conversas entre o Islã e o Ocidente, mas que as relações devem se expandir para além disso.

Nesta quarta-feira, o presidente fará um discurso na maior mesquita do sul da Ásia, localizada em Jacarta, no que é visto como sua maior tentativa de engajamento com o Islã desde o pronunciamento no Cairo.

Infância

Obama e Yudhoyono anunciaram que EUA e Indonésia vão aumentar a cooperação em temas econômicos, segurança e mudanças climáticas.

O americano também comentou sobre sua infância na Indonésia, nos anos 1960, quando tinha entre seis e dez anos.

“Mal reconheci (o país) enquanto passava pelas ruas”, disse Obama, ao elogiar o progresso indonésio. “A única coisa que ainda estava lá desde quando eu morei em Jacarta era Sarinah (um shopping center). Agora ele é um dos prédios mais baixos da rua.”

A visita de Obama à Indonésia corre o risco de ser encurtada em algumas horas por causa de novas erupções do vulcão Merapi, cujas cinzas podem prejudicar o funcionamento dos aeroportos do país.

Coreia do Sul e Japão também serão visitados por Obama durante seu giro pela Ásia.

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