Abbas pede intervenção da ONU contra ampliação de assentamentos israelenses

Har Homa
Image caption Construção do assentamento israelense de Har Homa, em Jerusalém

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, pediu nesta quarta-feira que o Conselho de Segurança da ONU realize uma reunião de emergência sobre a ampliação dos assentamentos israelenses em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia.

O pedido foi feito após Israel ter anunciado, nos últimos dois dias, a construção de mais de 2.100 novas moradias nessas áreas.

De acordo com o porta-voz do presidente palestino, Nabil Abu Rodeina, Abbas instruiu o observador da Autoridade Palestina junto à ONU, Riyad Mansur, a pedir a reunião do Conselho de Segurança.

"Algo precisa ser feito, internacionalmente, para cessar a expansão dos assentamentos que o governo israelense está conduzindo na Cisjordânia, inclusive em Jerusalém", declarou Rodeina.

A solicitação está sendo encaminhada por intermédio de paises árabes que são membros da ONU, já que os palestinos, por não possuírem um Estado, são apenas observadores.

O governo israelense afirmou que do total de novas moradias, cerca de mil apartamentos serão construídos no assentamento de Har Homa, outros 320 no assentamento de Ramot, em Jerusalém Oriental, e outras 800 casas no assentamento de Ariel, no norte da Cisjordânia.

Porta-vozes oficiais afirmaram que as novas casas em Ariel serão erguidas "em um terreno privado".

Críticas

O anúncio gerou críticas tanto dos Estados Unidos como de países europeus, que afirmaram que as novas construções nos territórios ocupados "não contribuem para o processo de paz".

O governo israelense, porém, declarou que "jamais concordou em congelar a construção em Jerusalém".

Após críticas do presidente americano, Barack Obama, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu respondeu que "Jerusalém não é um assentamento e não existe relação alguma entre a construção em Jerusalém e o processo de paz".

O porta-voz do Departamento de Estado americano, Philip Crowley, imediatamente respondeu, afirmando que "existe uma relação clara, no sentido que ambas as partes têm a responsabilidade de criar condições para uma negociação bem sucedida".

Tanto os EUA como Israel têm elevado o tom da discussão sobre a construção dos assentamentos. No entanto, o secretário do gabinete israelense, Zvi Hauser, acusou a mídia de "tentar criar um drama".

Doação

O primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, conversou nesta quarta-feira com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e afirmou que "é muito difícil avançar com as negociações por causa da construção nos assentamentos". Fayyad também disse a Clinton que os palestinos "querem o fim da ocupação israelense e a criação de um Estado Palestino".

Durante a conversa, Clinton prometeu uma doação de mais US$ 150 milhões para a Autoridade Palestina, além de US$ 450 milhões que já foram transferidos pelo governo americano durante este ano.

O primeiro-ministro Netanyahu deverá se encontrar com Clinton nesta quinta-feira.

De acordo com o site de noticias israelense Ynet, Clinton e Netanyahu deverão discutir um pacote de benefícios de Washington em troca da extensão do congelamento dos assentamentos israelenses na Cisjordânia.

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