Líder do PMDB e petista discordam sobre presidência da Câmara

“Se a tese do rodízio não prevalecer, o PMDB vai pra disputa", diz parlamentar. Foto: Antonio Cruz/ABr
Image caption Henrique Eduardo Alves quer PMDB presidindo a Casa em 2011 e 2012

Em viagem a Buenos Aires, o líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (RN), e o deputado Mauricio Rands (PT-PE) divergiram nesta quinta-feira sobre qual partido deve presidir a Casa nos primeiros dois anos da nova legislatura.

Segundo Alves, o PMDB já chegou a um consenso sobre estabelecer um rodízio com o PT, no qual a sua legenda comandaria a Câmara em 2011 e 2012, enquanto os petistas assumiriam a Presidência nos dois anos seguintes.

"Para nós, está claro o rodízio na Câmara. E também sabemos que no Senado existe um regimento que não permite esse revezamento. Mas o PT quer rodízio também no Senado e isso não é permitido”, disse o peemedebista.

“Se a tese do rodízio não prevalecer, o PMDB vai pra disputa. Nós defendemos o rodízio, mas o PT está numa briga interna grande", afirmou. Alves sugeriu que o PMDB já chegou a um consenso para que ele ocupe a presidência da Câmara dos Deputados.

Já na opinião de Rands, que é ex-líder de seu partido na Câmara, “é natural” que o PT ocupe a Presidência na primeira metade do mandato, que começa em janeiro. Segundo o deputado, o PT ficaria à frente da Câmara em 2011 e 2012, enquanto o PMDB ocuparia a Presidência do Senado.

“O PT elegeu 88 deputados e o PMDB, 75. É mais natural que o PT, que tem a maior bancada, tenha a Presidência da Câmara no primeiro biênio”, afirmou.

Embora não descarte uma disputa, Alves indica que prefere um acordo. “Nós temos experiência necessária para entender que o conflito não é bom para a estabilidade. Por isso, nada será impositivo. Não pode ser um cabo de guerra”, disse.

Formação do Ministério

Rands afirmou que, no momento, a prioridade para os partidos aliados é definir quem comandará o Legislativo. “Primeiro vamos definir a presidência da Câmara, e depois os ministérios”, disse.

No entanto, o atual presidente da Câmara e vice-presidente eleito, Michel Temer (PMDB-SP), acredita que a definição dos nomes dos ministérios da futura presidente Dilma Rousseff é mais importante.

O próximo vice-presidente da República diz ter sugerido a Dilma e ao presidente do PT, José Eduardo Dutra, que “o melhor é manter a atual equação” de ministérios porque “se mexer pode começar a ter problemas”.

Segundo Temer, o PMDB vai trabalhar para a “tranquilidade” (com o PT). Além disto, ele afirmou que seria “útil” ter um ministério com maior presença feminina, mas ressalvou que “a palavra final será da presidente”.

Meirelles e Palocci

O peemebebista disse que o atual presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, está “habilitado” para “ocupar qualquer cargo do país e especialmente na área econômica”. Segundo ele, qualquer indicação para Meirelles no novo governo “será aplaudida pelo PMDB”.

Temer defendeu o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci para o cargo de ministro-chefe da Casa Civil, por considerá-lo “com capacidade extraordinária de agregação e com tranqüilidade” para o posto.

O atual presidente da Câmara disse também que José Alencar é um modelo de vice a ser seguido. “Eu quero cumprir meu papel constitucional, quero ser um vice modesto. Eu não sou espaçoso e jamais darei cotoveladas para ganhar espaço”, disse.

Os parlamentares brasileiros estão na capital argentina para participação no VI Fórum Parlamentar Ibero-americano, que vai até esta sexta-feira.

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