Estudo rejeita ligação entre droga contra acne e suicídio

Paciente com acne severa
Image caption Pesquisa analisou 128 usuários de isotretinoína que tentaram suicídio

As pessoas tratadas por acne severa devem ter sua saúde mental monitorada de perto, segundo um estudo do Instituto Karolinska, da Suécia.

No entanto, a pesquisa revelou que a isotretinoína, droga popular que combate a acne e que no Brasil é vendida principalmente com o nome Roacutan, não aumenta os riscos de suicídio, apesar de indícios anteriores.

O estudo, feito com 5.700 pessoas entre 1980 e 2001, foi publicado no Jornal Médico Britânico.

A isotretinoína (também conhecida como Roacutan, Accutan, Amnesteem, Claravis, Clarus e Decutan) tem sido prescrita desde 1980 nos casos em que o uso de antibiótico não se mostra efetivo no combate à acne severa.

Depressão

Mas há relatos que ligam o uso da droga à depressão e ao comportamento suicida.

Por isso o pesquisador Anders Sundstrom e a sua equipe estudaram tentativas de suicídio antes, durante e depois do tratamento com essa droga.

Eles descobriram que 128 dos 5.700 pacientes investigados que estavam ingerindo a droga foram internados por tentativa de suicídio.

O risco de suicídio era maior entre os que haviam terminado o tratamento em até seis meses. Segundo os pesquisadores, isso se devia ao fato de que os pacientes cuja acne melhorara com o tratamento se sentiam frustrados por não notarem avanços em suas vidas sociais, e não a efeitos do tratamento.

Ainda assim, eles relatam que a tentativa de suicídio era um evento raro – os dados mostram que apenas uma em cada 2.300 pessoas que ingeriram a droga tentaram se matar pela primeira vez após iniciarem o tratamento.

Segundo Sundstrom, os efeitos da acne são um fator mais importante para tentativas de suicídio que o uso da isotretinoína. “Não estamos certos de que a droga acrescente algum risco”, disse.

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