Governo brasileiro comemora libertação de ativista Suu Kyi

Image caption A junta militar de Mianmar mantém mais de 2 mil presos políticos

Por meio de uma nota emitida pelo Itamaraty, o governo brasileiro comemorou a libertação da líder pró-democracia birmanesa Aung San Suu Kyi na manhã deste sábado.

"O Governo brasileiro recebeu com satisfação a notícia da libertação, em Myanmar, hoje, 13 de novembro, da Senhora Aung San Suu Kyi" disse o comunicado do ministério das Relações Exteriores.

"O Governo brasileiro reitera a expectativa de que esse gesto e as recentes eleições realizadas em Myanmar venham a impulsionar as reformas com vistas ao estabelecimento de instituições democráticas no país", completou o comunicado.

Líderes regionais e chefes de estado em todo o mundo também comemoram a libertação de San Suu Kyi após anos de prisão domiciliar.

Estados Unidos

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, emitiu um comunicado oficial em que dizia que a ativista é "uma heroína para mim e uma fonte de inspiração a todos que trabalham para avançar os direitos humanos básicos em Mianmar".

Obama pediu ainda que as autoridades militares libertem todos os presos políticos do país.

"Os Estados Unidos aguardam ansiosamente pelo dia em que todas as pessoas de Mianmar estejam livres do medo e da perseguição", diz o comunicado.

Já o presidente da Comissão Europeia José Manoel Barroso disse, também em comunicado oficial, que Suu Kyi é um símbolo global de coragem e esperança.

Ele afirmou ainda que a Nobel da Paz deve ter "liberdade irrestrita de movimentação e de expressão" e poder "participar completamente do processo político de seu país".

O ministro de Relação Exteriores japonês Seiji Maehara disse que o Japão espera que o governo de Mianmar "tome mais medidas positivas no futuro para melhorar a situação dos direitos humanos e a democratização".

`Farsa´

O primeiro-ministro britânico David Cameron disse que a detenção de Suu Kyi foi uma "farsa, orquestrada para calar a voz do povo birmanês".

"Liberdade é um direito de Aung San Suu Kyi. E o regime birmanês deve apoiar isso", declarou.

Em nota oficial, o presidente francês Nicolas Sarkozy alertou o governo de Mianmar contra "quaisquer restrições à liberdade de movimentação e expressão" da ex-prisioneira.

Sarkozy disse que a França ficaria atenta a quaisquer restrições impostas a ela, que seriam consideradas "uma negação inaceitável dos seus direitos".

A diretora da divisão de Ásia da organização internacional Human Rights Watch manteve duras críticas ao governo de Mianmar, mesmo após a soltura de Suu Kyi.

"A libertação dela é um complô extremamente cínico do governo militar para distrair a comunidade internacional das eleições ilegais no país", declarou.

O porta-voz do ministro do Relações Exteriores da Itália, Maurizio Massari, divulgou em comunicado que o ministro permanece "desapontado com o fato de que a libertação de Aung San Suu Kyi não aconteceu antes das eleições de 7 de novembro".

O secretário-geral das Nações Unidas Ban Ki-moon também pediu que as autoridades birmanesas libertassem outros presos políticos em comunicado divulgado por um porta-voz.

Salil Shetty, secretário-geral da organização de Direitos Humanos Anistia Internacional, disse que a libertação de Suu Kyi, mesmo bem vinda, "marca somente o fim de uma sentença injusta que foi ilegalmente estendida, e não é uma concessão das autoridades".

Segundo ativistas dos direitos humanos, ainda há mais de 2.200 presos políticos em Mianmar.

Em Hiroshima, no Japão, outros ganhadores do Prêmio Nobel reunidos no Encontro Mundial de Vencedores do Nobel da Paz comemoraram a saída de Aung San Suu Kyi da prisão domiciliar.

O ex-presidente Sul-africano Frederik de Klerk que recebeu o prêmio em 1993, disse que a notícia é "maravilhosa".

"Esperamos tê-la conosco no ano que vem", afirmou.

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