Oriente médio

EUA oferece incentivos a Israel para congelar construções na Cisjordânia

Estados Unidos pedem mais 90 dias de congelamento das construções

O governo dos Estados Unidos ofereceu a Israel um pacote de incentivos em troca de um novo congelamento de 90 dias na construção de assentamentos na Cisjordânia.

Segundo fontes diplomáticas, Washington oferece uma série de garantias de segurança e se compromete a lutar contra resoluções internacionais que critiquem Israel.

O acordo está sendo discutido neste domingo na reunião do Conselho de Ministros israelenses.

Em troca dos incentivos, Israel pararia as construções na Cisjordânia - mas não Jerusalém Oriental - por não mais do que 90 dias. O acordo incluiria as obras retomadas em 26 de setembro, quando expirou o congelamento anterior.

Segundo a imprensa local, o governo israelense está dividido entre aceitar ou não a oferta americana. Parte dos ministros estaria descrevendo a proposta como "uma armadilha" para Israel, e outros querem mais garantias de Washington.

Preocupação

As autoridades palestinas reagiram com ceticismo à notícia. Sabri Saydam, oficial do Fatah, partido do atual presidente Mahmoud Abbas, disse ào serviço árabe da BBC que a principal preocupação é a promessa americana de proteger Israel de futuras resoluções internacionais contra o país.

Ele disse que os líderes podem voltar a pressionar a ONU para a criação de um estado palestino.

"Se os detalhes dessa oferta forem verdadeiros, a liderança palestina terá que se posicionar. E se os líderes concluírem que não estão contentes com essa nova equação, eles terão que se preparar imediatamente para levar o caso à ONU."

O porta-voz do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, informou neste domingo que Abbas ainda não recebeu informações concretas sobre os incentivos que os Estados Unidos teriam oferecido a Israel.

A disputa sobre os assentamentos a ameaça arruinar as negociações diretas de paz entre Israel e a Palestina, que voltaram a acontecer depois de um intervalo de quase 20 meses.

Medidas `desesperadas´

As conversas de paz entre israelenses e palestinos foram adiadas algumas semanas depois da retomada, quando expirou o congelamento de 10 meses das construções de assentamentos israelenses na Cisjordânia, em 26 de setembro.

Os palestinos - apoiados pela Liga Árabe - se comprometeram a não voltar às negociações sem que as construções fossem completamente interrompidas, mas deram aos negociadores americanos até o começo de novembro para tentar resolver o impasse.

Segundo a correspondente da BBC no Departamento de Estado americano, Washington tem tentado desesperadamente reativar as negociações nos últimos dois meses.

Ela diz que, durante os 90 dias do novo congelamento proposto, o governo americano espera começar discussões sérias sobre as fronteiras do futuro estado Palestino.

Em outubro, Netanyahu propôs renovar o congelamento se os palestinos reconhecessem Israel como um estado judaico, mas a liderança palestina disse que a proposta era "injusta".

Israel ocupa a Cisjordânia e Jerusalém Oriental desde 1967 e já estabeleceu quase 500 mil judeus em mais de 100 assentamentos. Eles são considerados ilegais pela lei internacional, que é contestada pelo país.

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