Deficit grego volta a preocupar zona do euro

O premiê Papandreou
Image caption Premiê grego pode precisar de mais tempo para pagar empréstimos

O deficit da Grécia em 2009 foi ainda maior do que o calculado anteriormente, segundo dados divulgados nesta segunda-feira, indicando que a economia do país pode estar em situação pior do que a prevista.

O Eurostat, órgão de estatísticas da União Europeia, aponta que o deficit grego foi de 15,4% do PIB (Produto Interno Bruto) no ano passado, 1,8 ponto percentual acima da estimativa anterior, divulgada em abril. Trata-se do o maior deficit da zona do euro.

As preocupações com a economia grega se somam aos temores quanto à capacidade da Irlanda em saldar suas dívidas e podem gerar uma nova onda de instabilidade financeira na Europa.

Por conta dos novos cálculos, a Grécia afirma que conseguirá reduzir seu deficit apenas para 9,4% em 2010, e não para 7,8%, como havia prometido anteriormente.

A dívida interna grega também se mantém em patamar duas vezes mais alto do que o permitido na zona do euro.

Inspeção

Inspetores da UE, do Banco Central Europeu e do FMI estão no momento em Atenas para avaliar o esforço grego para equilibrar suas contas.

Correspondentes da BBC afirmam que os inspetores devem aprovar novos pagamentos dos empréstimos prometidos à Grécia – a terceira parcela dos 110 bilhões de euros (R$ 258 bilhões) prometidos ao país em pacote de resgate acertado em maio –, mas lembram que o país deve ser forçado a fazer cortes ainda mais profundos em seu orçamento.

As medidas de austeridade podem incitar novos protestos nas ruas do país.

Além disso, o premiê grego, George Papandreou, disse no final de semana que talvez seu país precisasse de mais tempo para pagar o pacote de resgate.

Irlanda

O segundo deficit mais alto observado pela Eurostat é o da Irlanda, calculado em 14,4%.

Ainda assim, o país insistiu nesta segunda-feira que não necessita de ajuda financeira da União Europeia.

Dublin disse que está em contato com “colegas internacionais” para obter dinheiro, mas negou rumores de que poderia pedir até 80 bilhões de euros (R$ 188 bilhões) ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês).

Os problemas financeiros irlandeses serão discutidos nesta terça-feira pelos ministros das Finanças europeus, em Bruxelas.

Segundo o editor de Europa da BBC, Gavin Hewitt, “algumas autoridades da UE acreditam que seria melhor que a Irlanda aceitasse o pacote de resgate em vez de deixar que a incerteza prossiga”.

Há temores de que mais demora ao enfrentar o deficit faça com que a situação irlandesa se assemelhe mais à grega ou contagie outros países do continente.

Desde 2008, a Irlanda viu a crise econômica se expandir por seu mercado imobiliário – os valores dos imóveis caíram entre 50% e 60% -, enquanto dívidas podres – principalmente empréstimos imobiliários – se acumularam nos principais bancos do país.

O governo irlandês deve implementar medidas de austeridade no orçamento a ser apresentado em 7 de dezembro.

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