Proposta de novo congelamento de assentamentos divide governo israelense

Hillary Clinton e Netanyahu
Image caption Detalhes do acordo ainda devem ser acertados por EUA e Israel

Um acordo entre o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, envolvendo um novo congelamento dos assentamentos na Cisjordânia em troca de um pacote de benefícios dos Estados Unidos, divide o gabinete israelense.

De acordo com levantamentos da imprensa local, sete dos 15 ministros do gabinete de Segurança de Israel apoiariam o novo acordo com o governo americano, que inclui o prolongamento, por 90 dias, do congelamento das construções na Cisjordânia.

Seis ministros votariam contra o acordo, e dois membros do gabinete, que são ministros do partido ultraortodoxo Shas, se absteriam.

O premiê Netanyahu apresentou as linhas gerais do acordo ao gabinete, porém afirmou que alguns detalhes "ainda devem ser acertados" com o governo americano.

A Autoridade Palestina já declarou que não vai aceitar o acordo, que não suspende as construções israelenses em Jerusalém Oriental.

Veto na ONU

O novo congelamento divide inclusive o Likud, partido do premiê Netanyahu.

O ministro do Likud Dan Meridor, responsável por assuntos de Inteligência e Energia Atômica, manifestou-se em favor do acordo com o governo americano.

"Trata-se de uma questão de responsabilidade nacional", disse Meridor à rádio estatal de Israel, "o acordo nos traz muitas vantagens importantes".

Entre as "vantagens" Meridor mencionou o fato de que, em troca do congelamento temporário, o governo americano se dispõe a acionar seu direito de veto no Conselho de Segurança da ONU, por um período de um ano, contra qualquer resolução desfavorável a Israel.

"O acordo também envolve uma melhora significativa da capacidade da nossa Força Aérea", disse Meridor, referindo-se à proposta americana de doar 20 aviões de caça F-35, no valor de US$ 3 bilhões, para Israel.

Meridor também mencionou que os Estados Unidos concordariam que o novo congelamento não incluísse a construção em Jerusalém Oriental.

Resistência

Já outros ministros do Likud, também membros do gabinete de Segurança, são contra o prolongamento do congelamento.

O vice-primeiro ministro, Silvan Shalom, declarou que o significado seria "abrir mão da maioria do território da Cisjordânia sem um acordo final (com os palestinos)".

Segundo o acordo que se configura entre os governos de Israel e dos Estados Unidos, durante os três meses do novo congelamento as negociações entre israelenses e palestinos deverão se concentrar no tema das fronteiras futuras entre Israel e o Estado Palestino.

"No momento em que iniciarmos a negociação sobre as fronteiras, começaremos a dar sem receber nada em troca", afirmou outro ministro do Likud, Moshe Yalon, que chamou o acordo de "cilada".

Líderes dos colonos israelenses na Cisjordânia ameaçam "derrubar Netanyahu" se o premiê anunciar um novo congelamento.

De acordo com Gershon Messica, líder dos colonos no norte da Cisjordânia, "a rendição vergonhosa de Netanyahu (à pressão americana) é um golpe fatal para o projeto sionista e coloca em risco a existência do Estado... o campo nacionalista vai derrubar seu governo".

Segundo um relatório da ONG Paz Agora, desde que expirou o prazo do congelamento anterior (no dia 26 de setembro) até hoje, os colonos "compensaram" o atraso causado pela moratória de 10 meses e nesses 45 dias já iniciaram a construção de cerca de 1,6 mil novas moradias na Cisjordânia.

Se o acordo com o governo americano se concretizar, o novo congelamento significará a suspensão de todas as construções iniciadas nesse período e deverá causar uma onda protestos por parte dos colonos, que prometem greves, manifestações e até greve de fome.

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