Risco de Portugal precisar de ajuda financeira é alto, diz ministro

Fernando Teixeira dos Santos, ministro português das Finanças
Image caption Ministro diz que Portugal demorou a ajustar contas por buscar crescimento

O ministro das Finanças de Portugal, Fernando Teixeira dos Santos, disse nesta segunda-feira que o risco de o país necessitar de empréstimos emergenciais para pagar suas dívidas é alto.

“O risco é alto porque não estamos enfrentando só um problema nacional, de um país. São os problemas da Grécia, de Portugal e da Irlanda”, disse o ministro ao jornal britânico Financial Times, referindo-se ao perigo de contágio da atual crise econômica europeia.

“Os mercados olham para essas economias de forma conjunta porque estamos juntos na zona do euro, mas provavelmente eles a olhariam diferentemente se não estivéssemos. Supondo que não estivéssemos na zona do euro, o risco de contágio seria menor”, afirmou Santos.

Segundo ele, apesar dos riscos, Portugal tem melhorado as suas contas públicas desde a aprovação do esboço do orçamento do país.

Lisboa pretende reduzir o seu deficit em 2010 para 7,3%, 1 ponto percentual a menos do que o deficit em 2009, segundo o ministro. Espera-se que índice caia para 4,6% em 2011, devido a medidas de contenção de gastos.

Na entrevista ao Financial Times, Santos ainda afirmou que o país demorou a adotar medidas de austeridade porque tentava estimular sua economia estagnada. Só em maio o governo começou a atacar o deficit orçamentário e os elevados gastos públicos.

Grécia

As declarações do ministro português foram feitas no mesmo dia em que se divulgou que o deficit da Grécia em 2009 foi ainda maior do que o calculado anteriormente.

Segundo o Eurostat, órgão de estatísticas da União Europeia, o deficit grego foi de 15,4% do PIB (Produto Interno Bruto) no ano passado, 1,8 ponto percentual acima da estimativa anterior, divulgada em abril. Trata-se do maior deficit da zona do euro.

Leia também na BBC Brasil: Deficit grego volta a preocupar zona do euro

Por conta dos novos cálculos, a Grécia afirma que conseguirá reduzir seu deficit apenas para 9,4% em 2010, e não para 7,8%, como havia prometido anteriormente.

A dívida interna grega também se mantém em patamar duas vezes mais alto do que o permitido na zona do euro.

Inspeção

Inspetores da UE, do Banco Central Europeu e do FMI estão avaliando os esforços de Atenas para equilibrar suas contas.

Correspondentes da BBC afirmam que os inspetores devem aprovar novos pagamentos dos empréstimos prometidos à Grécia – a terceira parcela dos 110 bilhões de euros (R$ 258 bilhões) prometidos ao país em pacote de resgate acertado em maio –, mas lembram que o país deve ser forçado a fazer cortes ainda mais profundos em seu orçamento.

As medidas de austeridade podem incitar novos protestos nas ruas do país.

Além disso, o premiê grego, George Papandreou, disse no final de semana que talvez seu país precisasse de mais tempo para pagar o pacote de resgate.

Irlanda

O segundo deficit mais alto observado pela Eurostat é o da Irlanda, calculado em 14,4%.

Ainda assim, o país insistiu nesta segunda-feira que não necessita de ajuda financeira da União Europeia.

Dublin disse que está em contato com “colegas internacionais” para obter dinheiro, mas negou rumores de que poderia pedir até 80 bilhões de euros (R$ 188 bilhões) ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês).

Os problemas financeiros irlandeses serão discutidos nesta terça-feira pelos ministros das Finanças europeus, em Bruxelas.

Segundo o editor de Europa da BBC, Gavin Hewitt, “algumas autoridades da UE acreditam que seria melhor que a Irlanda aceitasse o pacote de resgate em vez de deixar que a incerteza prossiga”.

Há temores de que mais demora ao enfrentar o deficit faça com que a situação irlandesa se assemelhe mais à grega ou contagie outros países do continente.

O governo irlandês deve implementar medidas de austeridade no orçamento a ser apresentado em 7 de dezembro

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