Guerrilheiro de 12 anos teria sido morto em ataque colombiano às Farc

Nome do rapaz foi preservado pelas autoridades. Foto: AP
Image caption Militares expoem corpos de supostos guerrilheiros mortos em ataque

O exército colombiano afirma que um guerrilheiro de 12 anos estava entre os 14 rebeldes mortos no bombardeio a um acampamento das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), no departamento (Estado) de Nariño.

De acordo com o general Jairo Antonio Erazo, chefe do Comando Conjunto do Pacífico - que liderou o bombardeio ao acampamento -, o jovem portava um certificado de refugiado colombiano no Equador, concedido pelas autoridades do país vizinho. O nome do rapaz foi preservado pelas autoridades.

A concessão de status de refugiado político é uma prática comum em países como Equador e Venezuela, para onde milhares de colombianos migram, em muitos casos, devido ao conflito armado na Colômbia. Na maioria dos casos, os fugitivos são vítimas de despejos forçados realizados por grupos paramilitares ou pela guerrilha.

A Colômbia chegou a afirmar que o menino era equatoriano, devido ao local de expedição do documento de refugiado. Nesta terça-feira, no entanto, por meio de um comunicado, o Ministério de Defesa disse que o jovem guerrilheiro era colombiano.

Colômbia culpa Farc

O ataque ao acampamento, que ficava a menos de 1 km da fronteira com o Equador, ocorreu na segunda-feira. As autoridades colombianas afirmaram que as Farc "são as únicas responsáveis" pela morte do menino.

"As Forças Militares condenam enfaticamente a vinculação de menores de idade nas fileiras das Farc e, em particular, a situação deste menino que foi recrutado a força, apesar de ter status de colombiano refugiado no Equador", diz o comunicado.

Militares colombianos ainda verificam se, entre os guerrilheiros mortos, estaria o chefe da frente 48 das Farc conhecido como "Euclides".

No local do bombardeio, teriam sido encontrados 13 fuzis, uma metralhadora, munição e documentos que serão utilizados pelo serviço de inteligência militar.

Carta aberta

Esta nova ofensiva colombiana ocorre poucos dias depois que as Farc voltaram a pedir, por meio de um comunicado, para que a Unasul (União de Nações Sul-Americanas) considere a sua "carta aberta" emitida em agosto, quando a guerrilha pediu que o bloco convocasse uma assembleia extraordinária para que seus membros pudessem opinar sobre o conflito na Colômbia.

Na ocasião, o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, criticou a iniciativa e disse que não aceitaria intermediários para resolver o conflito. Seguindo a linha de seu antecessor, Álvaro Uribe, Santos aposta na saída militar e não negociada.

Santos afirma que as portas para o diálogo "não estão fechadas com chave", mas exige que as Farc ofereçam provas de que querem acabar com o conflito, como, por exemplo, propondo a desmobilização de seus grupos armados para que sejam julgados pela Justiça. A guerrilha rejeita esta oferta.

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