Nova diretoria da CNI defende maior controle sobre o capital estrangeiro

Preocupada com o volume de dólares que tem entrado no país, resultando na valorização do real, a nova diretoria da Confederação Nacional da Indústria (CNI) vai defender, junto ao governo Dilma Rousseff, que os estrangeiros voltem a pagar Imposto de Renda sobre seus rendimentos no país.

“Se o brasileiro paga imposto (de renda) sobre suas aplicações, por que o estrangeiro não pode pagar?”, questiona Robson Andrade, que está assumindo a presidência da entidade.

Os investimentos estrangeiros em renda fixa (títulos do governo) foram isentos do imposto em 2006, com o objetivo de atrair esse capital e, assim, diminuir os juros sobre a dívida externa do país.

“Estamos perdendo competitividade. E não é só a indústria. Estamos perdendo espaço, por exemplo, em equipamentos para o agronegócio, o que também prejudica esse setor”, diz Andrade.

A valorização do real tende a encarecer os produtos brasileiros no mercado internacional, prejudicando as exportações.

O novo presidente da entidade também vai sugerir que o novo governo adote uma estratégia para “direcionar” os investimentos estrangeiros no setor produtivo.

“Podemos exigir, por exemplo, que parte desses investimentos sejam destinados a projetos que irão estimular as exportações de produtos com maior tecnologia”, diz.

Sobre a formação da nova equipe econômica, Andrade diz que “vai sempre achar pouco” qualquer que seja a redução nos juros promovida pelo Banco Central, mas admite que o problema está “no gasto do governo”.

“O BC não é o responsável. O governo é quem tem que reduzir os gastos para permitir a queda dos juros”, diz.