Brasil deve buscar em favelas inspiração para inovar, diz 'Economist'

Favela no Rio de Janeiro
Image caption Governo e empresas ignoram a criatividade das favelas, diz a revista

A revista britânica Economist diz, em edição publicada nesta quinta-feira, que o Brasil deve buscar inspiração nas suas favelas para criar produtos e negócios mais inovadores.

Em vista à favela de Heliópolis, em São Paulo, o correspondente da revista elogia a criatividade de comerciantes locais: “Mulheres vendem produtos de limpeza caseiros nos barracos. Homens fazem cadeiras com caixas. Uma loja chamada MecFavela vende hambúrgueres.”

No entanto, a revista diz que, “embora a distância entre essa economia informal e a formal esteja se reduzindo, ela permanece imensa. Muitas empresas ignoram os habitantes de Heliópolis e o governo continua a considerá-los mais vítimas potenciais do que promissores empreendedores”.

Euforia

Citando o sucesso mundial de empresas brasileiras como Embraer, Vale e Marcopolo, a Economist diz que os empresários nacionais vivem um momento de “euforia”, com a expectativa de que a economia cresça mais de 7% neste ano.

Mas a revista diz que as “companhias brasileiras estão fazendo bem menos do que suas rivais na Índia e na China para dominar a arte de produzir mercadorias baratas para as massas”.

Segundo a publicação, produtos e serviços inteligentes para os pobres abundam no país, mas a maior parte é concebida no exterior.

“As (empresas) campeãs brasileiras estão aplicando menos engenho para produzir mercadorias para o mercado local do que para o global”, diz a revista.

Investimento em pesquisa

A Economist diz que, em 2009, o país caiu 18 postos no ranking de inovação do instituto Insead (foi de 50º para 68º da lista) e que a proporção de produtos brutos exportados foi a maior desde 1978.

A revista lista como entraves à inovação no país o baixo investimento governamental em pesquisa (1,1% do PIB; a China investe 1,4%, e o Japão, 3,4%) e a burocracia.

“Os brasileiros se orgulham de sua habilidade para driblar regras bobas – eles o chamam de jeitinho. (...) Mas todo esse tempo gasto em encontrar formas de contornar regras burras seria melhor empregado à inovação em escala global”, diz a publicação.

Banco Panamericano

Em outra reportagem na mesma edição, a Economist elogia a atuação do Banco Central diante da revelação de que o Banco Panamericano fraudara o seu balanço.

Segundo a revista, a solução negociada para o problema (um empréstimo do Fundo Garantidor de Crédito para cobrir o rombo de R$ 2,5 bilhões nas contas do banco) foi criativa e poupou o bolso dos contribuintes.

A Economist elogiou também o presidente do BC, Henrique Meirelles, dizendo que durante a sua gestão o banco “construiu uma boa reputação”.

Leia a matéria na Economist (em inglês)

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