Obama anuncia acordo que prevê sistema de defesa para todos os países da Otan

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Image caption Obama conversa com Rasmussen (esq.) e Cameron (dir.): guerra no Afeganistão também será discutida

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta sexta-feira que foi fechado um acordo para implementar um sistema de defesa antimísseis, que cobrirá todos os países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

A decisão foi tomada durante uma reunião da cúpula do grupo, que acontece em Lisboa.

A Otan pedirá à Rússia que coopere com a o “escudo”, que protegerá os países da aliança tanto na Europa como na América do Norte.

Outra decisão tomada no encontro foi a de apoiar um acordo entre a Rússia e os Estados Unidos, que prevê a redução de seus estoques de armas nucleares.

Neste sábado, a cúpula discutirá a Guerra no Afeganistão, com a meta de encerrar os combates em 2014, e receberá o presidente russo, Dmitry Medvedev.

Segundo Obama, o Afeganistão “está entrando numa nova fase”, já que o país agora enfrenta uma transição, na qual autoridades afegãs terão mais responsabilidades.

Essa passagem de poder será tema da discussão entre os 48 países que enviaram forças militares ao país.

“A transição começará no início de 2011 e deve ir de forma escalonada até 2014. Isso não significa que vamos retirar todas as tropas em 2014. Vamos permanecer ainda um bom tempo por lá, mas com outras tarefas, principalmente de formação”, afirmou o secretário geral da aliança Anders Rasmussen.

Máfia do ópio

O presidente afegão, Hamid Karzai, que deve comparecer à cúpula neste sábado, disse querer que a Otan passe ao país o controle de sua segurança até o fim de 2014.

Para o correspondente da BBC em Cabul Paul Wood, a última coisa que a Otan quer é deixar que partes do país terminem nas mãos de senhores de guerra e da máfia do ópio.

Segundo ele, porém, se a violência chegar a um nível em que puder ser combatida por forças afegãs, a Otan considerará ter cumprido o papel e iniciará a retirada.

Convite ao Brasil

Sem ter a Rússia como inimigo, a Otan vai ampliar sua área de atuação. Os novos alvos agora incluem tráfico de drogas, de pessoas e de armas; terrorismo, crime organizado; consequências de Estados fracassados (como é o caso da Somália); ameaças ambientais e ciberataques.

Para combater esses crimes, a organização pretende realizar parcerias com outros países – e o Brasil é um deles.

“Definimos aqui o que vai ser a aliança no século XXI”, afirmou a ministra espanhola da Defesa, Carmen Chacón.

O governo russo também será consultado em temas como a luta contra a pirataria, o tráfico e o terrorismo.

A Otan também pretende que Moscou participe do esforço no Afeganistão, enviando pessoal especializado para dar formação para as forças de segurança e permitindo que o transporte de tropas se faça através do território russo.

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