Irlanda pedirá ajuda financeira, diz ministro

Pedinte em Dublin
Image caption Governo irlandês está terminando plano para cortar déficit orçamentário

A Irlanda fará neste domingo um pedido formal à União Europeia (UE) e ao Fundo Monetário Internacional (FMI) por ajuda para sanar as suas contas públicas.

O ministro irlandês das Finanças, Brian Lenihan, disse à rádio local RTE que poderão ser emprestados ao país “dezenas de bilhões de euros”.

Segundo o editor de negócios da BBC Robert Peston, o pedido não será recusado.

O governo está terminando um plano para cortar o seu déficit orçamentário nos próximos quatro anos.

Detalhes do plano seriam divulgados num encontro do gabinete irlandês no domingo, e só após a aprovação do orçamento por potenciais financiadores o resgate poderá avançar.

“Não tenho dúvidas de que o plano será convincente”, disse Lenihan.

Pressão

A Irlanda tem sido forçada por vizinhos europeus a pedir ajuda financeira, o que esperam que aliviará a pressão sobre outros membros da zona do euro também endividados.

O pedido de ajuda à UE e ao FMI é uma reviravolta para o governo irlandês, que no início da semana passada afirmou que o empréstimo seria desnecessário.

O país tem gastado cerca de 19 bilhões de euros (R$ 45 bilhões) a mais do que tem recebido em receitas, e os seus bancos também precisam de uma grande injeção de dinheiro.

Na sexta-feira, o Allied Irish Banks, um dos maiores bancos da Irlanda, afirmou que vinha enfrentando uma grande queda no volume de depósitos.

Segundo a diretoria do banco, US$ 18 bilhões foram sacados desde janeiro, o que representa 17% do total dos seus depósitos.

120 bilhões de euros

O jornal Sunday Times estima que o pacote de resgate girará em torno de 120 bilhões de euros (R$ 283 bilhões).

Em maio, a Grécia negociou um pacote de 110 bilhões de euros, a serem repassados ao longo de três anos.

O ministro Lenihan, porém, disse que o valor não alcançaria três dígitos.

Ele acrescentou que o dinheiro seria usado para alavancar o sistema bancário e que as taxas cobradas seriam bem menores que as do mercado.

O ministro disse ainda que a ajuda externa não seria condicionada ao aumento do imposto sobre o lucro das empresas, atualmente em 12,5%, valor bem inferior à média na Europa.

O jornal Sunday Telegraph disse que muitas das maiores empresas americanas, como a Microsoft, a Hewlett Packard e a Intel, alertaram a Irlanda sobre o impacto negativo que a elevação do imposto causaria.

Segundo o jornal, as empresas teriam dito que a medida comprometeria a capacidade do país em receber e reter investimentos.

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