Coreia do Norte

EUA condenam Coreia do Norte por ataque ao Sul

Fumaça em ilha sul-coreana

Os disparos atingiram casas na ilha sul-coreana de Yeonpyeong

Os Estados Unidos condenaram a Coreia do Norte pelo ataque militar contra a ilha sul-coreana de Yeonpyeong nesta terça-feira.

"A Coreia do Norte tem o costume de fazer as coisas de forma provocativa. Este foi um ato particularmente ultrajante", disse Bill Burton, porta-voz da Casa Branca.

Não está claro qual será a resposta americana ao incidente, considerado um dos mais graves na Península Coreana desde a Guerra da Coreia, nos anos 1950.

Os EUA possuem 28 mil soldados na Coreia do Sul, mas um porta-voz do Pentágono disse que não foram iniciadas preparações para uma eventual resposta militar.

Acusações

Em uma troca de disparos de artilharia que durou cerca de uma hora, a ilha sul-coreana de Yeonpyeong foi atingida e dois soldados morreram, enquanto cerca de 50 pessoas, tanto civis como militares, ficaram feridas. Muitas construções foram incendiadas.

Seul disse que os disparos do Norte começaram a atingir a ilha, próxima à disputada fronteira marítima entre os dois países, na tarde desta terça-feira (hora local, madrugada no Brasil) e que suas Forças Armadas estão trabalhando no nível de alerta mais alto fora de um período de guerra.

O presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, afirmou ter dado ordens a seus militares para retaliar com mísseis o que chamou de “mais provocações”.

Mas a Coreia do Norte disse que soldados do Sul, que realizam exercícios militares na área, atiraram primeiro e que não toleraria qualquer invasão de seu território.

"O inimigo sul-coreano, apesar de nossos repetidos alertas, cometeu diversas provocações militares, disparando tiros de artilharia contra nosso território marítimo próximo à ilha de Yeonpyeong a partir das 13h locais (2h no horário de Brasília)", disse à agência de notícias estatal norte-coreana KCNA o comando militar do país.

A Coreia do Norte "vai continuar a realizar ataques militares impiedosos sem hesitação se o inimigo sul-coreano ousar invadir 0,001 milímetro de nosso território", alertou, sem informar se houve feridos ou mortos do lado norte-coreano.

Tensão

A troca de disparos acontece em um momento de crescente tensão regional, já que no sábado a Coreia do Norte revelou o que seria uma nova usina de enriquecimento de urânio, dando ao país mais um caminho para a possível fabricação de uma bomba nuclear.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou a Coreia do Norte pelo ataque e pediu moderação a ambos os lados.

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A Rússia pediu calma depois do incidente, enquanto um porta-voz do Ministério do Exterior chinês disse que as duas Coreias deveriam "fazer mais para contribuir para a paz".

"O mais importante agora é retomar as negociações do Grupo dos Seis (Estados Unidos, Japão, China, Rússia e as duas Coreias) o quanto antes", disse Hong Lei.

Na tarde de terça-feira, o Itamaraty emitiu nota declarando "preocupação" com o incidente e "conclamando ambas as partes a se absterem de medidas que possam agravar a tensão" bilateral.

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, disse ter ordenado que seus ministros se preparem para qualquer eventualidade.

O analista da BBC Jonathan Marcus disse que o ataque seria uma forma de a Coreia do Norte mostrar ao mundo seu poder e uma indicação de algum tipo de transição política.

Nos últimos dois meses, Kim Jong-un, filho do líder norte-coreano Kim Jong-il, foi promovido a general de quatro estrelas e nomeado para cargos de liderança no Partido Comunista durante a primeira convenção do partido em 30 anos.

Analistas acreditam que estes sejam sinais de que ele está sendo preparado para suceder o pai.

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