Governo limitará entrada de imigrantes qualificados na Grã-Bretanha

A secretária do Interior Theresa May
Image caption May disse que almeja uma 'imigração sustentável'

O governo britânico anunciou nesta terça-feira que limitará a 21,7 mil o número anual de trabalhadores qualificados de fora da Área Econômica Europeia que poderão receber vistos para trabalhar na Grã-Bretanha.

O número, válido a partir de abril de 2011, representa um corte de 6,3 mil em relação à quantidade de imigrantes qualificados aceitos em 2009.

No entanto, estão excluídos dessa conta os empregados estrangeiros transferidos por suas empresas para solo britânico.

A exclusão de transferências "intraempresariais" – por exemplo, um executivo americano continuará podendo ser enviado para a filial londrina de sua empresa – fez com que opositores questionassem a eficácia do teto imposto pelo governo.

A secretária de Interior, Theresa May, disse ao Parlamento que o novo limite tornaria a imigração “sustentável”, enquanto a oposição trabalhista chamou o plano de “fajuto” e “confuso”.

Em 2009, 22 mil trabalhadores foram transferidos por suas empresas para a Grã-Bretanha. E outros 50 mil vistos foram expedidos para trabalhadores qualificados de fora da Área Econômica Europeia (que engloba a UE mais Islândia, Noruega e Liechtenstein).

Estudantes e famílias

A secretária também prometeu reduções significativas no número de vistos a serem emitidos para estudantes, famílias e dependentes estrangeiros.

O objetivo, diz May, é reduzir a imigração de quase 200 mil pessoas ao país anualmente para “dezenas de milhares” nos próximos anos.

O jornalista político da BBC Ben Wright explica que a dificuldade é promover essa redução de uma forma que seja palatável à coalizão de conservadorres e liberais-democratas no poder e, ao mesmo tempo, que não coíba a entrada de talentos estrangeiros na Grã-Bretanha.

Durante a campanha eleitoral, o atual premiê, David Cameron, prometeu impor tetos à imigração, mas seu atual parceiro de coligação e vice-premiê, o liberal-democrata Nick Clegg, disse que a ideia não resolvia uma questão-chave: a maioria dos imigrantes vem de dentro da União Europeia.

O debate sobre imigração ganha força no momento em que a Grã-Bretanha impõe duras medidas de austeridade para tentar reduzir seu deficit e garantir empregos aos britânicos.

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