América Latina

Falta de médicos e suprimentos dificulta luta contra o cólera no Haiti

Mãe carrega criança com sintomas do cólera no Haiti

Estima-se que a epidemia possa atingir 400 mil pessoas

Agências humanitárias que estão combatendo a epidemia de cólera no Haiti fizeram um alerta para a falta de médicos treinados e de suprimentos básicos, desde sabão até sacos para guardar cadáveres.

Não tem sido possível, segundo essas agências, abrir centros de tratamento com a rapidez suficiente para lidar com o aumento nos casos da doença, que já matou mais de 1,4 mil haitianos nas últimas cinco semanas. Acredita-se que a epidemia só deva atingir seu pico no fim de dezembro.

A chefe para assuntos humanitários da ONU, Valerie Amos, fez nesta quarta-feira um apelo para que ao menos mais cem médicos e mil enfermeiros sejam enviados ao Haiti.

Enquanto isso, o Banco Mundial prometeu US$ 10 milhões em ajuda emergencial para financiar atendimento médico aos haitianos, muitos dos quais vivendo em condições precárias desde o terremoto do início do ano.

Avanço rápido

Os agentes humanitários no país afirmam que o cólera está avançando mais rapidamente do que o previsto e que, quando chegar o Natal, eles estarão sobrecarregados no atendimento a centenas de milhares de pessoas doentes. Calcula-se que o número de infectados já tenha ultrapassado os 50 mil.

A doença causa diarreia e vômito, levando à desidratação aguda. Pode matar rapidamente, mas é facilmente tratada com antibióticos e hidratação.

A Organização Pan-Americana de Saúde havia advertido na terça-feira que o cólera pode afetar até 400 mil haitianos ao longo de 2011, dada a natureza “explosiva” da epidemia.

Segundo o vice-diretor da organização, Jon Andrus, faltam no país “água potável e (condições) sanitárias, bem como soros que sejam acessíveis a todos. A longo prazo, precisamos criar sistemas e infraestrutura que assegurem o acesso igualitário a esses serviços básicos”.

O correspondente da BBC em Porto Príncipe Mark Doyle relata que a epidemia já é considerada fora de controle no país. Ele ouviu da ONG Médicos Sem Fronteiras que cada centro de atendimento médico aberto pelo grupo fica lotado de pacientes imediatamente.

O avanço da doença provocou protestos e episódios de violência nas últimas semanas do Haiti, no momento em que o país se prepara para ir às urnas nas eleições presidenciais e legislativas, marcadas para este domingo.

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