Analistas: México e Colômbia mostram que só polícia não basta contra o tráfico

Ação policial no Rio
Image caption Fenômeno no Brasil é 'cíclico e urbano', diz analista

A violência ligada ao narcotráfico tem aspectos diferentes em Colômbia, México e Brasil, mas os três países têm em comum a necessidade de combinar políticas de defesa a ações na área socioeconômica, além de aumentar o controle do Estado sobre os presídios. Essa é a opinião de especialistas da área de segurança no México e na Colômbia ouvidos pela BBC Brasil.

De acordo com o conselheiro do governo colombiano Alfredo Rangel, a ação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) não resolverá sozinha o problema da violência gerada pelo tráfico no Rio de Janeiro.

"Para casos complexos, é preciso agir com o mesmo nível de complexidade. Por isso, uma ação isolada não resolve", disse Rangel.

Para ele, entre as medidas que podem ser decisivas nesse combate está um maior controle dos presídios, com pessoal especializado, em uma ação que impeça de forma eficaz a comunicação de criminosos com seus comparsas.

Rangel destaca ainda que, durante 20 anos, a Colômbia combinou ações de defesa a campanhas educativas e mudanças na legislação - que permitiram penas mais pesadas para os criminosos e extradições para os Estados Unidos.

Fenômeno urbano

De acordo com o analista e consultor de segurança colombiano John Marulanda, os ataques registrados no Rio de Janeiro não podem ser comparados à violência que assola México e Colômbia.

"O fenômeno no Brasil é cíclico e urbano, concentrado em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo", diz Marulanda.

"Na Colômbia, a problemática envolveu áreas urbanas e rurais, e a ação de traficantes e guerrilheiros ocorreu no país inteiro e com conotação ideológica", acrescenta. Segundo o analista, o México é um "caso único", devido a sua proximidade com os Estados Unidos.

Já o jornalista e economista mexicano Carlos Loret de Mola, autor do livro sobre o narcotráfico El Negocio, os governos devem coordenar suas medidas entre as áreas econômica e de defesa para "acabar" com os recursos dos criminosos.

"Os países concentraram o combate na relação entre policiais e ladrões, mas ela vai além disso", diz.

O mexicano Ernesto López Portillo Vargas, do Instituto para a Segurança e a Democracia, reforça a tese de que a polícia sozinha não vai resolver a questão. "São necessárias medidas sociais que gerem oportunidades para os que moram nas áreas carentes, alvo fácil dos traficantes", avalia.

A Colômbia foi assolada por cartéis de drogas nos anos 1980 e 1990 e ainda sofre com a ação de guerrilhas como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) - que, segundo muitos especialistas, têm ligações próximas com o narcotráfico.

O México, por sua vez, vem sendo duramente castigado pela ação do narcotráfico, que deixou mais de 30 mil mortos nos últimos quatro anos em diversas cidades do país.

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