EUA alertam aliados para possível vazamento de dados no Wikileaks

Imagem do site Wikileaks
Image caption Site pode ter até 3 milhões de documentos da chancelaria dos EUA

O governo dos Estados Unidos está entrando em contato com diversos governos aliados para avisá-los de potenciais constrangimentos diplomáticos que podem resultar da publicação, na internet, de informações confidenciais do Departamento de Estado americano.

As informações estão supostamente em posse do site Wikileaks, que não confirmou quando publicará os dados, mas acredita-se que isso ocorrerá nos próximos dias.

O site já causou furor anteriormente ao publicar um dossiê secreto sobre a guerra no Afeganistão e dados que sugeriam conivência dos Estados Unidos com casos de tortura no Iraque, entre outros documentos sigilosos.

Agora, o Departamento de Estado diz temer que o vazamento de seus documentos cause tensão com nações amigas, e o órgão, segundo relatos da imprensa, já conversou com governos de países como Grã-Bretanha, Turquia, Israel, Dinamarca e Noruega, em uma aparente tentativa de minimizar danos.

Opiniões sinceras

No caso da Turquia, suspeita-se que a divulgação possa incluir documentos sugerindo que Ancara teria ajudado a Al-Qaeda no Iraque e que os Estados Unidos teriam ajudado separatistas curdos combatidos pelo governo turco.

Documentos com comentários privados de autoridades americanas sobre governos estrangeiros também podem ser fonte de constrangimento.

O correspondente da BBC em Washington Steve Kingstone afirma que a dúvida é se o vazamento se limitará a causar incômodo diplomático ou se, de fato, revelará dados desconhecidos sobre a política externa americana.

Na quarta-feira, o porta-voz do Departamento de Estado, PJ Crowley, disse que o vazamento poderia abalar a confiança de aliados na diplomacia americana. "Quando essa confiança é traída e vai parar na primeira página dos jornais, isso tem um impacto", disse.

A chancelaria americana tem advertido ao Wikileaks que o vazamento pode ser perigoso para indivíduos e para os interesses americanos, mas apelos prévios semelhantes feitos pelo Pentágono foram ignorados pelo site.

Um porta-voz do governo britânico confirmou nesta sexta-feira que recebeu uma ligação do governo americano, mas não quis "especular" sobre o conteúdo dos documentos vazados até que eles venham a público.

Não se sabe ao certo a origem do vazamento nem o que está em posse do Wikileaks, mas há relatos de que podem ser até 3 milhões de documentos.

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