China quer reunião de emergência para resolver crise na Península Coreana

Navios próximos à ilha Yeonpyeong, nos execícios militares com os EUA e Coreia do Sul
Image caption Exercícios militares conjuntos entre EUA e Coreia do Sul começaram neste domingo

A China pediu a realização de uma reunião de emergência com vários países devido à tensão na Península Coreana causada pelo ataque da Coreia do Norte à ilha Yeonpyeong, ocorrido na última terça-feira.

A proposta do governo chinês é que representantes das seis nações que participaram das negociações sobre o desarmamento nuclear da Coreia do Norte se reúnam em dezembro. As duas Coreias, Estados Unidos, China, Japão e Rússia são os países envolvidos nesta negociação.

De acordo com o correspondente da BBC em Seul Chris Hogg, a resposta da Coreia do Sul à proposta chinesa não foi muito entusiasmada.

De acordo com a agência de notícias sul-coreana Yonhap, o presidente Lee Myung-bak disse ao assessor de política exterior chinês, em visita à Seul, Dai Bingguo, que o governo sul-coreano não está interessado em uma retomada antecipada das negociações nucleares com as seis nações, pois é mais urgente lidar com o ataque norte-coreano.

O ataque de artilharia da Coreia do Norte contra a ilha habitada de Yeonpyeong, na Coreia do Sul, que matou pelo menos quatro sul-coreanos, os dois militares e dois civis, na última terça-feira está sendo considerado um dos piores incidentes entre os dois países desde 1953, quando a Guerra da Coreia terminou, sem um tratado de paz.

A Coreia do Sul pediu que a China ajude mais na resolução da crise com a Coreia do Norte.

Em uma reunião com o enviado chinês neste domingo em Seul, o presidente sul-coreano, Lee Myun-bak, afirmou também que o governo da China precisa assumir o que ele chamou de posição mais justa e responsável em relação às duas Coreias. O enviado, por sua vez, afirmou que a China vai tentar garantir a paz na península.

Exercícios militares

A reunião na capital sul-coreana ocorreu no dia em que navios de guerra da Coreia do Sul e dos Estados Unidos realizaram exercícios militares na costa oeste da península, a cerca de 125 quilômetros ao sul da fronteira marítima que é disputada entre as duas Coreias.

O porta-aviões americano USS George Washington e outros quatro cargueiros da Marinha americana estão na região junto com outros navios de guerra sul-coreanos, navios de patrulha, fragatas, embarcações de apoio e aeronaves de combate a submarinos.

Pouco depois do início dos exercícios, a Coreia do Norte afirmou que atacaria caso suas águas fossem invadidas.

"Vamos dar um golpe militar brutal no caso de qualquer provocação que viole nossas águas territoriais", afirmou a agência de notícias estatal da Coreia do Norte KCNA.

Os moradores da ilha Yeonpyeong receberam ordens para ir para abrigos quando disparos de artilharia foram ouvidos neste domingo, mas a ordem foi suspensa 40 minutos depois. Apenas cerca de 20 dos 1,7 mil moradores continuam na ilha.

O Ministério da Defesa da Coreia do Sul também deu instruções para que jornalistas deixem a ilha até o fim do domingo, pois não tinha como garantir sua segurança.

"Neste momento, ainda é imprevisível que tipo de ação provocativa a Coreia do Norte vai tomar usando os exercícios conjuntos sul-coreanos e americanos como justificativa", informou o Ministério.

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