Haiti inicia primeira eleição depois de terremoto e epidemia de cólera

Funcionários do Conselho Eleitoral Provisório do Haiti organizam cédulas de votação (Reuters)
Image caption Votação começou lenta em Porto Príncipe

O Haiti iniciou neste domingo a votação para eleger um novo presidente e novos congressistas na primeira eleição depois do terremoto que deixou mais de 200 mil mortos, 2 milhões de desabrigados e 90% dos prédios públicos destruídos.

A lista oficial do governo é de 4,7 milhões de eleitores registrados, que poderão votar em um dos 18 candidatos presidenciais, deputados e senadores. Mas, de acordo com correspondentes, o início da votação foi lento.

Segundo o correspondente da BBC Mark Doyle, que está em um dos maiores postos de votação no estádio de futebol em Porto Príncipe, uma hora depois do início da votação apenas poucos votos foram colocados nas urnas. Outra zona eleitoral na capital haitiana também passou pela mesma situação.

A votação começou às 6h da manhã (horário local, 9h, horário de Brasília) e deve ser encerrada ás 16h (horário local, 19H, horário de Brasília). Os resultados deverão ser divulgados a partir do dia 5 de dezembro, com os resultados finais anunciados apenas no dia 20 de dezembro.

Cerca de 11 mil soldados das forças de paz da ONU estão garantindo a segurança e apoio logístico para o processo eleitoral.

Além de ser uma votação ainda marcada pelas consequências do terremoto de janeiro, centenas de milhares de pessoas continuam vivendo em abrigos precários e sem higiene, o que abriu caminho para outra tragédia no país: a epidemia de cólera que matou 1,6 mil pessoas nas últimas semanas.

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Devido à epidemia, foram feitos pedidos pelo adiamento da votação, mas o governo decidiu manter a data já estabelecida.

Candidatos

Muitos haitianos ficaram em grandes filas nos últimos dias para poder se registrar para votar. Mas, alguns afirmam que não se sentem motivados pelas eleições.

"Nós não temos o que comer e nenhum lugar para viver, estamos tão magros que mesmo o vento que sopra pode nos levar, de onde tiraremos a força para sair e votar?", disse Carline Estinville à BBC.

Disputam a Presidência 18 candidatos, sendo que o apoio do presidente René Préval foi para o tecnocrata Jude Célestin, chefe da empresa estatal encarregada da reconstrução do país.

Célestin concorre com a ex-primeira-dama Mirlande Manigat, a principal líder oposicionista, e acredita-se que os dois candidatos levem a disputa ao segundo turno, em 16 de janeiro.

Outro concorrente de peso é Michel Martelly, popular cantor haitiano.

Os eleitores vão escolher também 99 deputados e os ocupantes de 11 das 30 vagas do Senado.

O correspondente da BBC em Porto Príncipe Mark Doyle relata que a ausência do partido do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide pode contribuir para diminuir a legitimidade do pleito. Outra preocupação é com as perspectivas de baixo comparecimento eleitoral.

Segundo Doyle, o temor é que uma eventual falta de legitimidade do vencedor provoque distúrbios nas ruas do país e prejudique ainda mais os esforços de recuperação.

Preparativos

As forças de paz no país começaram na sexta-feira a preparar terreno para o pleito, distribuindo material eleitoral pelos postos de votação em todo o país.

Enquanto isso, os candidatos à Presidência fizeram seus últimos comícios, concentrando esforços na capital Porto Príncipe, onde está um terço do eleitorado.

O vencedor herdará um país destruído, com instituições frágeis, desemprego generalizado e mais de 1 milhão de desabrigados, mas também promessas bilionárias de ajuda internacional, que se seguiram ao devastador terremoto de janeiro.

Préval, que está em seu segundo mandato, deixará o poder em 7 de fevereiro.

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