Complexo do Alemão está ocupado, diz polícia

Policiais durante operação no Complexo do Alemão
Image caption Invasão no Complexo do Alemão começou na manhã de domingo

O comandante geral da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Mario Sérgio Duarte, afirmou neste domingo que o Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, está ocupado.

"Vencemos. Trouxemos liberdade para o povo do Alemão. Agora é trabalho de busca, procura, prisões e apreensões", afirmou o Duarte em entrevista.

Ainda não está claro se todas as posições de criminosos dentro do complexo de favelas foram tomadas pelas forças policiais e militares envolvidas na operação. O cerco continua nos 44 acessos do complexo e as forças de segurança, que não encontraram muita resistência, iniciaram a operação de varredura casa a casa.

O comandante da PM afirmou ainda que as forças policiais e militares não tiveram muitos problemas no início da invasão.

"Não tivemos dificuldade. Tivemos cobertura dos helicópteros e os blindados fizeram o seu papel", disse.

A operação de invasão do Complexo do Alemão, onde estariam centenas de traficantes, começou por volta das 8h da manhã deste domingo.

No total, participam da invasão 800 soldados da Brigada de Infantaria Paraquedista do Exército, 300 agentes da Polícia Federal (PF) e 1,3 mil homens das polícias Militar e Civil mobilizados na para operação no Rio de Janeiro.

Blindados do Exército e da Marinha e veículos do Batalhão de Operações Especiais da PM (Bope) foram utilizados na operação e estão dentro do complexo. A Polícia Militar estima que entre 500 e 600 traficantes estariam no Complexo do Alemão.

Desde o sábado mais de 2 mil homens das forças de segurança já estavam prontos para invadir o complexo de favelas e mantinham um cerco posicionados nos 44 acessos do complexo.

Na manhã deste domingo, uma hora antes do início da invasão, ocorreram tiroteios intensos na região e os homens estavam posicionados aguardando apenas a chegada dos helicópteros para iniciar as operações.

O comandante afirmou que, apesar de não ter enfrentado grandes problemas no início da operação, os policiais precisarão tomar "muito cuidado" e ter muita "paciência".

"Agora é hora de paciência, verificar casa por casa, beco por beco, não vai ter um lugar daqui deste complexo que não vai ser verificado, não vai ser checado", disse.

Duarte afirmou que os traficantes, "até o momento", não enfrentaram a polícia, mas isto não significa que o confronto não vai ocorrer.

A polícia já chegou a uma área conhecida como Areal, no centro do Complexo do Alemão. As ruas estão desertas, o comércio fechado e foram apreendidas armas e drogas.

Os veículos que bloqueavam a entrada da favela estão sendo rebocados e, nas ruas, só são vistos carros policiais.

Ultimato

Na tarde de sábado, o coronel Lima Castro, relações públicas da PM do Rio, chegou a dizer a jornalistas que os traficantes teriam até o por-do-sol para se entregar.

"A proposta é de paz, mas se formos chamados à guerra, vamos responder com a mesma força", afirmou.

A PM estabeleceu um procedimento para que os traficantes se rendessem. Eles deveriam se apresentar com fuzis sobre as cabeças e entregar as armas num posto montado na rua Joaquim Queiroz, no Complexo do Alemão, próximo à Estrada de Itararé.

No domingo, este foi um dos pontos de entrada das forças policiais.

Segundo Lima Castro, os bandidos estão "desgastados e estressados", sem mantimentos e munição. O coronel afirmou que a superioridade numérica e de equipamento das forças de segurança é total. "Tudo é favorável a nós".

O comandante do Batalhão de Choque, Waldir Soares Filho, disse a jornalistas que todas as pessoas que entram ou saem do Complexo do Alemão estavam sendo revistadas e obrigadas a apresentar documento de identidade.

Image caption Veículos militares blindados entraram no Complexo do Alemão pouco depois do início da invasão

Ao longo do dia, o Exército realizou vários bloqueios no Complexo do Alemão, parando e revistando pedestres, carros, motos e caminhões para evitar a fuga de traficantes.

Traficantes detidos

No total, 31 pessoas foram detidas e encaminhadas para averiguação pela Polícia Civil no sábado.

Entre eles, está Edson Souza Barreto, o "Piloto", 49 anos, chefe de segurança de Fabiano Atanázio, o "FB", chefe do tráfico na Vila Cruzeiro. Segundo a Polícia, ele tentou fugir da Vila Cruzeiro ao se misturar a um grupo de moradores que descia o morro portando bandeiras brancas.

Já Diego Raimundo Santos, conhecido como "Mister M", se rendeu à Polícia no Morro do Alemão. Ele é suspeito de fazer a segurança do traficante "Pezão", que chefia o tráfico no local. A mãe de “Mister M” disse a jornalistas que convenceu seu filho a se entregar.

Duas pessoas foram feridas a tiros na região na manhã deste sábado, ao tentar escapar do cerco. Os dois suspeitos foram atendidos em um hospital local e levados à delegacia da região em seguida.

O coordenador da ONG Afroreggae, José Júnior, esteve no Complexo do Alemão e tentou convencer traficantes a se entregarem.

“Ninguém falou que queria partir pro enfrentamento, mas não quer dizer que ninguém vá”, afirmou ele à imprensa no local ao sair. “Tentei passar pra eles que deveriam se entregar, para que não morressem e também não expusessem os moradores."

Colaborou Júlia Dias Carneiro, da BBC Brasil no Rio de Janeiro

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