EUA pediram informações sobre DNA de presidenciáveis paraguaios, revela documento

Fernando Lugo, presidente do Paraguai
Image caption Eleição de Lugo, em 2008, terminou com hegemonia do Partido Colorado

Os Estados Unidos pediram em março de 2008, um mês antes da última eleição presidencial paraguaia, informações detalhadas sobre os candidatos que incluíam “dados biométricos, incluindo impressões digitais, imagens faciais e dados para reconhecimento da íris, e DNA”.

A informação consta de um comunicado entre o Departamento de Estado americano e a Embaixada dos Estados Unidos no Paraguai divulgado no domingo como parte dos mais de 250 mil despachos diplomáticos (comunicações entre embaixadas e outros canais diplomáticos) americanos aos quais o site Wikileaks teve acesso.

O documento pede ainda o envio de “dados biográficos e financeiros” dos candidatos, além de um relato sobre as posições políticas de cada um e possíveis apoios financeiros ou materiais recebidos de Cuba ou Venezuela.

Entre as informações pedidas pelo Departamento de Estado estão ainda “planos e intenções do governo e do partido governista de se preparar para, ou influenciar o resultado, das eleições de abril de 2008”.

A eleição presidencial de abril de 2008 resultou na eleição do esquerdista Fernando Lugo, encerrando mais de seis décadas de hegemonia do Partido Colorado.

Tríplice fonteira

O cabo do Departamento de Estado à embaixada americana em Assunção relata ainda preocupação do governo americano com a suposta presença de grupos como Al-Qaeda, Hezbollah e Hamas na tríplice fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina.

O documento pede “informações sobre a presença, intenções, planos e atividade de grupos terroristas, facilitadores e redes de apoio – incluindo, mas não limitadas a, Hezbollah, Hamas, al-Gama'at al-Islamiya, Al-Qaeda, organizações de mídia jihadistas, agentes do Estado iraniano ou representantes – no Paraguai, em particular na área da tríplice fronteira”.

O cabo diplomático, datado de 24 de março de 2008, também pede informações sobre possíveis ligações desses grupos com “narcotráfico, lavagem de dinheiro, tráfico de pessoas, e/ou atividades criminosas como meio de obter fundos ou outro apoio logístico”.

Outra preocupação das autoridades americanas, segundo o documento, era saber sobre os planos do governo paraguaio para combater “a ameaça terrorista” e a posição do país sobre a “guerra ao terror” americana.

A suposta infiltração de grupos radicais islâmicos na região da tríplice fronteira, área de grande concentração de imigrantes libaneses, é objeto de discussão intensa desde a década de 1990, quando a Argentina sofreu dois grandes atentados a bomba.

Em 1992, 29 pessoas morreram na explosão da Embaixada de Israel em Buenos Aires. Dois anos depois, um atentado a uma entidade judaica na capital argentina deixou outros 85 mortos.

Em ambos os casos, a Justiça argentina acusou o grupo libanês Hezbollah, com o apoio do governo iraniano, pelos atentados.

As atenções americanas com a tríplice fronteira cresceram após os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

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