EUA acusam Wikileaks de ser 'irresponsável' e 'pôr vidas em risco'

AFP
Image caption O fundador do site Wikileaks, Julian Assange

O governo dos Estados Unidos criticou duramente nesta segunda-feira o vazamento pelo site Wikileaks de milhares de trechos de mensagens trocadas entre representações diplomáticas americanas.

Entre os documentos vazados está um relato de que o rei Abdullah da Arábia Saudita exortou os EUA a destruir as instalações nucleares do Irã.

O fundador do site Wikileaks, Julian Assange, disse que as autoridades americanas têm medo de assumir responsabilidades. Mas a Casa Branca afirma que o vazamento é "irresponsável" e põe a vida dos diplomatas e de outras pessoas em risco.

Um congressista republicano pediu que o Wikileaks seja classificado como organização terrorista. Peter King, membro do Comitê de Segurança Interna da Câmara dos Representantes, afirmou que o vazamento "revela a intenção de Assange de prejudicar não apenas nossos interesses nacionais na luta contra o terrorismo, mas também mina a própria segurança das forças de coalizão em Iraque e Afeganistão".

O Departamento de Defesa dos EUA disse que está tornando seus sistemas de computador mais seguros, para impedir futuros vazamentos.

O Wikileaks publicou no domingo cerca de 200 de 251.287 despachos diplomáticos que diz ter obtido. Todas as centenas de milhares de despachos, entretanto, foram entregues antecipadamente a cinco publicações, incluindo os jornais The New York Times, americano, e o britânico The Guardian.

Os despachos enviados por diplomatas dos EUA contêm avaliações pouco elogiosas de líderes mundiais, informações sobre pedidos de governos mundiais para que usinas nucleares do Irã fossem atacadas, e ofertas de cooperação para países que se dispusessem a receber presos de Guantánamo.

Chávez 'louco'

Entre os documentos secretos estão despachos que revelam que os EUA pediram dados biométricos detalhados - entre amostras de DNA e biometria da íris - de altos funcionários da ONU. Entre as autoridades visadas, estavam o secretário-geral, Ban Ki-moon, e representantes permanentes de Grã-Bretanha, França, Rússia e China no Conselho de Segurança.

Os documentos vazados também continham observações de diplomatas sobre líderes mundiais, muitas delas pouco lisonjeiras. Em um deles, um assessor diplomático da Presidência francesa, Jean-David Levitte, disse ao subsecretário de Estado americano Philip H. Gordon, em um encontro realizado em Paris em setembro de 2009, que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, é "louco" e que nem o Brasil era capaz de dar-lhe mais apoio.

Os documentos também revelaram o temor dos EUA de que o Paraguai fosse abrigo de agentes iranianos e militantes islâmicos. A tese é corrente desde os atentados de 11 de setembro de 2001, principalmente em relação à "tríplice fronteira" entre Brasil, Argentina e Paraguai.

Pressão para atacar Irã

Entre as informações que constam dos documentos, também estão a pressão de líderes árabes - como o rei da Arábia Saudita, Abdullah bin Abdul Aziz - para que os Estados Unidos bombardeassem o Irã, além de esforços clandestinos do governo americano em atacar a rede Al-Qaeda no Iêmen.

O editor da BBC para o Oriente Médio Jeremy Bowen acredita que o vazamento vai intensificar o debate sobre os planos nucleares do Irã, assim como sobre as chances de uma ação militar por parte dos Estados Unidos ou de Israel.

"Os vazamentos são profundamente constrangedores para os americanos e vão enfurecer os líderes árabes cujas declarações foram citadas", diz Bowen.

Os comunicados entre embaixadas ainda indicam preocupações com a segurança do programa nuclear paquistanês, com o possível uso de material radioativo para a construção de armas atômicas.

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